08 de julho de 2026
Geral

Com corte de verba, creche reduz vagas

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A mudança na política estadual de investimento em entidades sociais, que remanejou parte da verba destinada a crianças para adolescentes, está contribuindo para o agravamento da crise financeira enfrentada pelas creches. A Creche e Berçário São Francisco de Assis, que fica no Parque Santa Edwirges, por exemplo, já reduziu as vagas de 132 para 100 porque deixou de receber recursos estaduais.

Mesmo assim, a creche que tem receita formada por recursos municipais e federais, além de contribuições da comunidade e renda de promoções, acumula dívidas. “Fazemos promoções, como festas, pedimos ajuda a empresários, mas estamos com dificuldade em pagar encargos sociais e funcionários desde que deixamos de receber a verba estadual”, diz José Luiz Fernandes, vice-presidente da creche.

Mesmo com a redução de vagas, a creche, que também deixou de receber recursos da Paróquia de Santo Antônio, acumula dívidas. “Desde outubro não é recolhido INSS. A dívida já é de cerca de R$ 4.000”, conta Márcia Veiga Louzada, coordenadora da entidade.

“Vestiram um santo, mas desvestiram outro”, diz o vice-presidente da Associação das Entidades de Assistência e Promoção Social de Bauru, Uriel de Almeida, referindo-se ao remanejamento de verbas. De acordo com ele, as creches não-governamentais deixaram de receber recursos estaduais.

A verba, segundo Almeida, foi transferida para programas de atendimento ao adolescente, de 7 a 14 anos. Em função da dificuldade financeira vivida pelas creches, a Associação das Entidades Assistenciais entregou ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) um pedido de mais verbas para programas de atendimento de crianças de até 7 anos.

Porém, como a associação ainda não obteve resposta, convocou uma reunião para hoje. “Estamos convocando todas as entidades que atuam no setor de criança e adolescente, os conselhos municipais da assistência social, da criança e adolescente, do portador de deficiência para uma reunião hoje à tarde com representantes da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social e da Secretaria de Estado da Assistência Social”, explica.

Segundo Almeida, a maioria das creches não-governamentais de Bauru enfrenta grave crise financeira. “As creches não-governamentais deixaram de receber recursos estaduais. Como ainda não foi feita a municipalização dessas creches, a verba retirada não está sendo reposta pelo município”, explica.

Serviço

A reunião das entidades sociais para discutir verbas para este ano será às 15h de hoje, na Legião Feminina, que fica na Praça Rodrigues de Abreu.

Fila de espera é grande

A redução das vagas de 132 para 100 foi uma medida difícil de ser tomada porque a demanda é muito grande, de acordo com Márcia Veiga Louzada, coordenadora da Creche e Berçário São Francisco de Assis. “Nem estamos fazendo novos cadastros porque sabemos que não teremos vagas. A lista de espera tem cerca de 70 nomes”, conta.

Apesar da crise financeira, José Luiz Fernandes, vice-presidente da creche, explica que não falta alimentos para as crianças. “A nossa dificuldade é em pagar encargos, funcionários e contas de água e luz”, frisa. A creche atende crianças de 4 meses a 7 anos, em período integral, oferecendo quatro refeições e educação - do maternal à pré-escola.

A creche tem nove funcionários contratados e outros nove cedidos pela prefeitura. A entidade atende crianças cujas mães traballham fora e que não têm condições de pagar escola particular.