Reclama fundas reflexões o problema que se abate sobre as pessoas portadoras de deficiências físicas e/ou mentais nos seus diversos tipos. Por que uma necessidade assim tão vigorosa ou tão empenhada? Acaso seria porque os deficientes, vindos ao mundo sem as propriedades dos demais, sejam totalmente destituídos de condições corporais para o exercício de atividades que de cada um se teria de exigir e, conseqüentemente, tenham de ser mantidos isolados em suas camas ou cadeiras de rodas e sem horizonte para divisar? É claro que não, positivamente não, pois muitos deles e até a maioria podem desenvolver rotineiramente esta ou aquela tarefa, excluídas, naturalmente, somente aqueles que tenham de ser considerados realmente desvalidos, sem, portanto, algum requisito indispensável para a execução de alguma coisa, ainda que se considerando que até mesmo surdos, mudos e cegos logram entender, fazer-se entendidos e não deixar que a “peteca†despenque, como os que se notam por aí, no seio das sociedades, e ainda assim são olhados como inúteis e, por isso, vivem órfãos de algum amor fraterno, e, igualmente, de alguma forma de ajuda na sua difícil caminhada. Nem mesmo as mãos lhes são estendidas para atravessar as ruas urbanas. É que há entre as pessoas uma maneira de pensamentos que precisaria ser revista e adotada para, conseqüentemente, vir a ser colocado em melhores termos o tabu existente, desvestindo-o da desumanidade que ostenta, até porque ele atinge inclusive a sexualidade de mulheres e homens portadores de anomalias físicas e, em outras situações emergentes, impõe sua internação pura e simples em instituições específicas, às vezes dividindo espaços com ex-drogados e ex-alcoólatras, com os quais nada têm a ver. Será que para a sociedade haveria diferença, resguardável, entre deficientes e “normaisâ€, capaz de tratar uns e outros de maneira diferente também? Não teria de haver, mas parece que existe, o que se tem de destacar como erro crasso, uma vez que humanamente são todos iguais, feitos de carne e osso, além de inspirados pelas determinações de um único Deus, fazendo jus, logicamente, às mesmas considerações e ao mesmo volume de afeição, sem distinções individuais que as deixem de ser irmãos... É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)