A família Schürmann elegeu a Patagônia chilena como o lugar mais lindo do Planeta. A ela fazem coro centenas de visitantes que se encantam com as belezas naturais da região mais austral do mundo, incluindo brasileiros que partem em busca do desconhecido.
Cercada pelas montanhas da Cordilheira dos Andes quase sempre cobertas por neve, a Patagônia chilena deixou de ser alvo apenas de mochileiros sem medo dos rigores do vento e do frio. Passou, a partir da construção de um hotel em pleno Parque Nacional Torres del Paine, o explora - com “e†minúsculo -, a atrair um público mais exigente, que depois das explorações procura aconchego.
A viagem até a região de Magalhães, no extremo Sul do Chile, é congelante. Tanto por causa do frio, que no inverno pode atingir 19 graus negativos, como pela ansiedade que a travessia da Cordilheira dos Andes provoca. É o lugar conhecido pelo “fim do mundoâ€, “a ponta onde o vento faz a curvaâ€.
Trajeto dos “uis†e “aisâ€
Para chegar a Punta Arenas e depois seguir em direção ao parque, o visitante terá que empreender uma longa viagem. Quatro horas de avião entre São Paulo e Santiago e depois quase a mesma distância até o último aeroporto em terra firme da América do Sul.
Vencida a primeira e segunda etapas, a viagem prossegue por terra firme, pela Carretera Austral, cruzando campos cobertos de neve e fazendas seculares onde valentes carneirinhos dão prova de resistência.
Torres del Paine fica a cinco horas e meia de carro de Punta Arenas. A cidade mais próxima do parque é Porto Natales, típica localidade do Sul do Chile, com casas coloridas - paredes e telhados - e barcos ensaiando o embalo da pesca. Um porto tranqüilo para quem pode passar dias esperando a chegada dos pingüins que fogem da Antártida à procura de águas mais quentes.
O parque fica a 130 quilômetros de Porto Natales e a partir daí a viagem continua por terra. É o trajeto dos “uis†e “ais†dos turistas, que mesmo cansados se empolgam com tanta beleza. Um lugar mágico, cercado por lendas e mitos, que vem atraindo mais de 50 mil pessoas por ano em busca de cenas únicas.
Montanhas imensas cobertas de gelo, pumas e condores avançando sobre guanacos (uma espécie de lhama) e zorros (pequenas raposas) cruzando a estrada, sem medo do frio.
Muitos, depois de cruzarem a região, relatam a sensação de uma paz infinita, como se estivessem a um passo do céu.
Maciços andinos e céu azul
Falando em céu, mesmo no inverno ele é de um azul intenso na Patagônia chilena. Como um fundo a emoldurar os campos e os maciços andinos que convidam à liberdade e a exploração.
Mas para explorar o parque há necessidade de um ponto de apoio como o Hotel Salto Chico. Isso porque além do frio, o vento sopra cortante a mais de 100 quilômetros por hora e são raríssimas as pousadas e postos de gasolina pelo caminho. Avistar um guarda de fronteira que usa uniformes como na Sibéria, com proteção de orelha e casacos pesados, parece uma miragem no longo caminho pela estrada em linha reta construída no governo Pinochet.