Quando os reluzentes CDs invadiram o mercado fonográfico brasileiro, há pouco mais de uma década, os discos de vinil foram logo apontados como objetos em extinção. Mas apesar de terem mesmo sumido das prateleiras com o passar dos anos os bolachões negros não se tornaram peças de museu. Ao contrário, em muitos casos são a única maneira de ouvir músicas que ainda não foram lançadas em CD.
No centro de Bauru é possível encontrar discos de vinil em alguns sebos e também em vendedores ambulantes. Sem muito esforço, pode-se achar ótimos discos de rock dos anos 70 e 80, nacionais e internacionais. Todos em bom estado.
Mas a grande procura, garante o vendedor Antônio Alves Barbosa Filho, é por discos antigos de música sertaneja de raiz. Barbosa trabalha com a compra e venda de discos de vinil, há dez anos no centro da cidade.
Segundo ele, o surgimento o CD não fez com que a procura pelos bolachões caísse. “Tem gente que não gosta de CD, que prefere ouvir os LPsâ€, diz, lembrando que tem clientes até em cidades de outros estados.
Depois dos sertanejos, os discos mais procurados, conforme o vendedor - que trabalha com um acervo de, aproximadamente, 2 mil títulos, com preços que vão de R$2,00 a R$ 10,00, em média - são os de bandas de rock dos anos 70, como Pink Floyd, Queen e Led Zeppelin. â€œÉ só colocar aqui que vendeâ€, garante. Seus clientes são, na maioria, pessoas com mais de 30 anos, embora os mais jovens também se interessem pelo seu material.
O vendedor Wágner Donizete Pierrasso, que trabalha em uma das lojas do Sebo do Baú, confirma a faixa etária dos compradores de vinil. “Muitos são mais velhos mesmo, mas também é grande o número de estudantes que vêm aquiâ€, afirma, comprovando a falta de preconceito dos mais jovens com os LPs.
O estudante universitário André Castro Oliveira é um dos compradores de discos de vinil. Para ele, além da raridade em alguns casos, os velhos discos têm no encarte uma vantagem em relação aos CDs. “Eles são mais bonitos, trazem mais fotos, letras... Os discos de vinil eram muito mais legaisâ€, diz.
O chiado dos bolachões não incomoda Oliveira. “A gente nem percebe, isso é desculpa de quem não guardou os discos antigos e por isso precisou comprar CDs novosâ€, afirma.
Para o empresário e apaixonado por música Adriano Cavalieri, que tem em casa cerca de 400 discos de vinil de todos os estilos e épocas, os LPs são como “carros antigos que ainda andamâ€. “Você pode continuar ouvindo o som que gosta do mesmo jeito que em um CDâ€, diz.
O que faz com ele continue comprando discos de vinil apesar de estarmos na era dos disquinhos espelhados é o fato de muitas obras ainda não terem sido lançadas em CD. “Enquanto todo mundo espera eu ouço meus LPsâ€, brinca.
3 em 1 também são procurados
Quem possui uma discoteca muito grande em casa sabe da importância de ter um bom aparelho para poder ouvir os velhos LPs. Por isso ao mesmo tempo em que a procura pelos discos continua, também é comum encontrar nas oficina de assistência técnica de eletro-eletrônicos, pessoas a procura de aparelhos de toca-disco 3 em 1 ou peças de reposição como as imprescindíveis agulhas de diamante.
De acordo com José Carlos Santana, proprietário de uma dessas oficinas, no centro da cidade, pelo menos duas pessoas procuram por aparelhos 3 em 1 usados mensalmente. “Como os aparelhos de hoje têm rádio e toca-fitas, a razão só pode ser o vinilâ€, analisa o comerciante.
Segundo Santana, apesar de não ser mais fabricado no Brasil o toca-disco não é um aparelho difícil de ser encontrado. “Muita gente vendeu os seus 3 em 1 para comprar aparelhos com CD. Quem quer encontrar um bom usado consegueâ€, garante.