10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Sobre a ética profissional e o respeito à pessoa humana


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Para meu assombro, fui surpreendida por uma “notinha” apócrifa, especulativa, unilateral e mentirosa – na coluna Entrelinhas, que trata de um suposto voto apresentado por mim, na assembléia de docentes da Unesp, câmpus de Bauru e se concede ainda o “direito” de divulgar o voto de outro docente do mesmo campus. O “texto” é infundado e pretensioso porque busca vilipendiar o patrimônio cultural e político de pessoas de vida pública honrada e (pasme) sem qualquer direito à defesa. Entendo que este é o reflexo de uma sociedade em desmando, na qual se fala e escreve o que se quer, sem responsabilização dos autores/delatores, onde o vale-tudo grassa e pouco se importam se educadores estão sendo ou não desrespeitados; e é como educadora que me ponho a pensar. O câmpus de Bauru, o único da Unesp que oferece o Curso de Comunicação Social, no meu entendimento, deve se sentir aviltado por este exemplo de falta de ética: docentes com seu nome integralmente publicados numa “notinha” que contém meias verdades. A falta de ética também se aplica à ausência do contraditório: nenhum dos dois docentes foi consultado pelo jornalista (sic!) e, ainda a confusão entre partido e universidade denota total falta de senso – do bom, é claro. Neste sentido é importante dizer que somos, na Unesp, professores e que estávamos em uma assembléia docente e não atuando em âmbito partidário. Talvez, como educadores, tenhamos falhado, talvez não tenhamos sido Homens e Mulheres competentes politicamente para garantir os preceitos do direito, da ética e do respeito à pessoa. Talvez devamos fazer um “mea culpa” por permitir que esta sociedade se transforme nesta tresloucada Babel que, entremeio à confusão geral, favorece os interesses mais escusos. Resta dizer que o patrulhamento ideológico é uma prática consolidada neste país, mas, quando um meio de comunicação de massa, atabalhoadamente, “compra” a informação inverídica e a publica, sem qualquer cuidado, parece ser um mau sinal. Afinal, no que e em quem se pode acreditar? É minha indignação que me move neste momento, pela falta de profissionalismo e de veracidade na comunicação de massa, mas é também a percepção de que a universidade pública e seus profissionais não são tratados como bem público a ser preservado e, na esteira do desmantelamento do Estado, a formação da opinião pública vai de mal a pior. (Professora Doutora em Ciências Sociais, Loriza Lacerda de Almeida, RG 11.003.277)