Prestes a conquistar o tão sonhado título brasileiro, o Tilibra-Copimax vive um drama que ultrapassa a defesa e o ataque do Uniara: a perda do patrocinador. A torcida, dirigentes e a comunidade do basquete nacional se mobiliza para reverter este verdadeiro purgatório.
O presidente do Bauru Basquete, Caio Coube fez um apelo aos patrocinadores para que reflitam, e revejam alguns pontos-de-vista e permaneçam com o time. “Nós estamos muito próximos de chegar ao ponto máximo do nosso projeto, ao término da quinta temporada, campeões brasileiros de basquete e com a inserção da equipe no circuito sul-americano. A tendência é a gente avançar cada vez mais. Uma vez campeão brasileiro, nós vamos buscar ser campeão sul-americanoâ€, anuncia.
Coube faz questão de lembrar que o Tilibra-Copimax não é apenas um time, mas um projeto de marketing esportivo e de educação. Sobre a atitude dos patrocinadores, ele declara que as empresas precisam dar exemplos edificantes para a sociedade. “O patrocínio da Tilibra e da Votorantim ao basquete de Bauru é um exemplo disso. As empresas precisam demonstrar responsabilidade social indo um pouco além de pagar seus funcionários, compromissos e impostos, o que é obrigação e todo mundo faz. O algo mais que a empresa pode dar para a sociedade é exatamente apoiar causas nobres, exatamente como é esta do basquete de Bauru.â€
O presidente da equipe acena com a possibilidade da Fiat aumentar a cota de patrocínio, bem como a de novos patrocinadores. Mas revela que não gostaria de perder o caráter local do time.
Mesmo com uma missão difícil, Caio anuncia que o basquete de Bauru vai continuar. “Gostaríamos que continuasse Bauru/Tilibra-Copimax, com toda essa identidade gerada e pela possibilidade que a Tilibra e a VCP sempre nos deu de ser uma grande equipe, tão próxima de sua maior vitória.â€
Técnicos das equipes adversárias do Campeonato Nacional, o presidente da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) e os torcedores bauruenses, que estiveram na panela no jogo de quarta-feira, comentaram a situação do Tilibra-Copimax de estar próximo ao paraíso faturando um Nacional em casa, com 3 x 0, no melhor de cinco jogos e ao mesmo tempo viver o inferno de poder ter o trabalho de cinco anos encerrado por falta de patrocínio.
Confira o que eles disseram ao Jornal da Cidade:
“Eu acho que se realmente essa situação se confirmar, exatamente neste momento quando o Tilibra pode conquistar um título brasileiro, seria fundamental a manutenção da equipe, pelo próprio retorno de trabalho que a cidade vem fazendo e para o próprio basquete no desenvolvimento do pólo regional, que vem sendo fundamental para o fortalecimento do basquete no Brasil. Mas eu acredito que as coisas devam se acertar. São difíceis em todos os lugares, como em Londrina que não é diferente. Mas os dirigentes acabam encontrando alguma alternativa, porque o basquetebol tem sido nos últimos anos muito atraente. Principalmente se tiver um resultado de mídia, um resultado social, a imagem da cidade e do patrocinador, toda essa gama de itens aliados a uma festa bonita como essa, cheia de famílias, de jovens, sem problemas, com veículos de imprensa. Eu considero até um absurdo a retirada de patrocínio. Até penso o contrário, com certeza devem ter pelo menos cinco ou seis empresas querendo o lugar da Tilibra.†(Ênio Vecchi, técnico do Londrina/Sercomtel)
“A Tilibra é um patrocinador da Associação Bauru Basquete. Saindo o patrocinador, a equipe continua. Dependendo do nível do patrocínio conseguido, representará o nível do time, se vai ser muito forte, competitivo ou não. Eu acredito que o time sendo campeão brasileiro e disputando a Liga Sul-Americana seja um atrativo para novos patrocinadores, novos investidores e o time não vai acabar. Não pode acabar. Tenho a certeza que, caso a Tilibra não renove, nós vamos conseguir patrocinadores ainda melhores e o time continue mantendo o nível.†(Vitor Bórnia Jacob, empresário e torcedor)
“Sobre o patrocínio, o Tilibra reflete a realidade do esporte amador no Brasil. Hoje tem time, amanhã pode ser que não tenha. Mas nós torcedores, ainda acreditamos que irá surgir o patrocínio ou teremos alguma novidade em relação à Tilibra. Quem sabe o título mude a opinião dos nossos patrocinadores. Quanto ao basquete eu sou suspeito, pois fui um atleta do basquetebol em Bauru. Então, com o Tilibra chegando ao título, é uma vitória de todos os torcedores, em especial de quem participou desse basquete bauruense.†(Maurício Reis, advogado e ex-atleta)
“O time é muito bom, mas às vezes fica meio nervoso. Mas a Tilibra tirar o patrocínio de um time vencedor não faz sentido.†(Edinaldo Raffa, produtor de televisão)
“Na minha opinião, o Tilibra-Copimax é um marco para a cidade de Bauru e as pessoas responsáveis pelo time e pelo patrocínio precisam fazer um esforço sobre-humano e pensar positivamente para não deixar que um time vencedor, que está à beira de ser campeão nacional, simplesmente acabe. É preciso que esse pessoal se sensibilize, pois o Tilibra não é um time qualquer, é um equipe que tem uma responsabilidade social, que não pode acabar.†(Marcos Santana, auxiliar técnico em eletrônica)
“Hoje que é Dia dos Namorados, o Tilibra ter ganho foi o grande presente que ele deu para Bauru. Eu acho que se a Tilibra for pagar em propaganda comercial o retorno que ela tem de marketing com essa torcida e com a repercussão nacional, vai gastar muito mais do que com a manutenção do time. Eu acho que é pouco inteligente por parte da diretoria da empresa, tirar o patrocínio de uma equipe que está com uma repercussão nacional.†(Mara Nogueira Régis, veterinária e torcedora assídua)
“Eu gosto muito de vir aos jogos e vou achar ruim e ficar muito triste se não puder ver meus “amadinhos†jogar.†(Clara Régis de Oliveira Ribeiro, 6 anos, estudante)
“Como bauruense e como torcedora, eu gostaria que essa situação se revertesse de alguma forma. Com o patrocínio da Tilibra ou de outra empresa, porque isso estimula os jovens que voltaram a freqüentar as quadras com um bom ideal e pela cidade, pois o time leva o nome de Bauru para frente, fazendo a cidade despontar no Estado e no Brasil.†(Ana Regna Fornetti Figueiredo, bancária)
“Nós acompanhamos o Tilibra desde o surgimento em 97, seu crescimento, até chegar onde está hoje. Então, mais do que o patrocínio, isso aqui é a vida de quase todo mundo que está aqui dentro. Por mais que venha ocorrer o término desse patrocínio, o que a gente não quer, vai acontecer a valorização do Bauru Basquete. Vai chover patrocínio e a vida do povo bauruense não vai ser afetada por isso. O pessoal acredita no basquete e vai haver bom senso e essa história não termina.†(Cleber Ciro da Silva, auxiliar administrativo e diretor da torcida Fúria)
“Eu não acredito na hipótese desse inferno que é a retirada de patrocínio. Eles estão num momento muito próximo ao título e acredito que a cidade deve se envolver nesse processo espetacular da Tilibra. Eu pude conversar com o Caio, no último jogo em que estive aqui, o último contra o COC. Através do microfone e na quadra tive a oportunidade de falar que a família Coube ainda tem muito a fazer pelo basquete de Bauru. Foi minha tentativa de sensibilizar não só a família, mas a cidade que deve muito ao basquete. Hoje em dia, Bauru é conhecida através deste time. Então, eu acredito que as forças vivas da cidade, não devem deixar acabar um projeto maravilhoso que é esse do Tilibra-Copimax.†(Antônio José Paterniani, o Tonzé, técnico do Uniara/Araraquara)