08 de julho de 2026
Geral

Reencontro após 42 anos

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Ontem foi dia de festa para Zélia Esquezardi Pinto, 74 anos, e sua família. Após 42 anos distantes e sem informações que pudessem reaproximá-los, a portadora de esquizofrenia assistida pela Sociedade Beneficente Cristã e seus parentes puderam se reencontrar.

“Isso é um fenômeno. Quando chegou essa carta, eu fiquei admirado”, conta Moisés Ferreira Pinto, 87 anos, marido de Zélia. Ele esteve ontem na sede do Abrigo para Idosos da Sociedade Beneficente Cristã para rever sua esposa e levá-la de volta para sua casa, em Paraguaçu Paulista.

“A gente não esperava mais nada porque foi muito tempo. Mas essa notícia foi uma alegria imensa. Chorei muito”, diz Nelson Ferreira Pinto, 54 anos, filho mais velho do casal. Ele tinha apenas 12 anos quando a mãe desapareceu.

A família, com sete filhos, morava em uma cidade do interior do Paraná quando Zélia foi internada por problemas mentais. Ela foi para um hospital psiquiátrico de Curitiba, onde ficou durante quatro meses. Quando Moisés retornou para buscá-la, recebeu a informação de que ela já havia sido retirada do local por supostos familiares.

“Eu queria saber onde estava a minha esposa, mas ninguém deu definição. Procuramos, espalhamos fotografias pelas cidades, mas não achamos. Eu já achava que ela tinha morrido”, confessa Moisés.

Para a filha caçula de Zélia, Nair Ferreira de Menezes, 42 anos, o reencontro com a mãe foi emocionante. Ela tinha oito meses quando esteve pela última vez com Zélia. “Eu chorei demais abraçada a ela. Eu só a conhecia por foto”, diz.

Abrigo

Zélia está sob cuidados da Sociedade Benficente Cristã há 19 anos. Inicialmente, ela passou 14 anos no Hospital Psiquiátrico por ser portadora de esquisofrenia. Não há registros de como ela chegou à instituição.

Apesar de ter recebido alta há cinco anos, Zélia permaneceu na Sociedade Beneficente Cristã. Ela foi transferida para o Abrigo para Idoso e Portador de Deficiência, já que a entidade não tinha notícias de sua família.

De acordo com a assistente social Ana Paula Cardia Soubhia, Zélia não tinha nem cédula de identidade quando chegou à entidade. Foi buscando colocar em dia a documentação pessoal de Zélia que a assistente social localizou sua certidão de casamento.

As poucas informações arquivadas foram sendo anexadas a dados fornecidos pela própria paciente, ainda que confusos. “Ela me falava uma coisa e no outro dia ela já falava outra. Mas foi através do relato dela com o que eu tinha em prontuário que eu consegui a documentação”, observa Ana Paula.

O endereço atual do esposo de Zélia foi obtido com um pouco mais de pesquisa, juntando informações de documentos e percorrendo outros órgãos, como cartórios. O passo seguinte foi enviar uma carta à família, que prontamente a respondeu com um telefonema.

Embora tenha deixado a entidade na qual viveu durante 19 anos, o acompanhamento continua à distância. A família recebeu orientações da assistente social sobre a importância da convivência familiar e sobre o processo de adaptação.