Desde que um bando de pombas da espécie amargosa, natural da zona rural, escolheu o câmpus da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) para pernoitar, a Comissão de Biossegurança da instituição tenta espantá-las. Sem sucesso, a direção da FOB e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) decidiram podar as cerca de 50 árvores do estacionamento, onde as aves passavam a noite.
A preocupação da Comissão de Biossegurança da FOB era com o acúmulo de fezes das pombas, que podem causar doenças, informa a assessoria de imprensa da faculdade. “Era um bando grande, de mais de 300 pombas. A presença delas na cidade mostra o desequilíbrio ambientalâ€, diz Luiz Pires, titular da Semma.
Como mesmo após a poda das árvores algumas pombas ainda aparecem no câmpus, já está programada uma pulverização com repelente, para afastá-las, segundo a assessoria de imprensa da FOB. As fezes dessas aves podem conter fungos causadores de três doenças: histoplasmose, criptococose e pistacose.
A mais grave é a histoplasmose, uma infecção que geralmente atinge os pulmões. Os sintomas são tosse, com ou sem febre. Crianças e pacientes cuja imunidade esteja comprometida podem ter quadros mais graves, segundo dados do site Agenda Saúde. De acordo com o médico Felinto dos Santos Neto, diretor do Pronto-Atendimento Infantil (PAI), esse tipo de doença costuma ser tratado nos núcleos de saúde.
Pires explica que por causa do desmatamento, as pombas-amargosas estão tornando-se pragas agrícolas e até migrando para as cidades. “Em algumas cidades na divisa de São Paulo com o Paraná, na região de Tupã, essas pombas estão virando pragas agrícolas. Com a retirada das matas, desapareceram os predadores naturais delas, que eram cobras, jaguatiricas, cachorros-do-mato, quatis, entre outrosâ€, diz.
Sem predadores, a população das pombas cresce rapidamente, frisa o titular da Semma. “Com superpopulações, elas acabam migrando para a cidadeâ€, conta. Ele acredita que a pulverização com repelente evitará o retorno das aves mesmo quando sugirem brotos nas árvores. “As pombas devem procurar um outro local e teremos que aprender a conviver com elas em locais onde não causem dano ou apresentem riscoâ€, diz.
Luiz Pires não acredita que as pombas-amargosas invadam o Bosque da Comunidade do Jardim Dona Sarah, por exemplo. “Elas preferem árvores frondosas, que não temos no bosque.â€, ressalta. Em casos de invasão de pombas, ele recomenda a pulverização com repelente, que pode ser comprado em lojas de produtos agropecuários.
No câmpus da USP, as aves pernoitavam em árvores da espécie oiti, que faziam sombra para os veículos estacionados. Antes de optar pela poda drástica das árvores, a FOB tentou afastar as incômodas aves recorrendo inclusive a bombardeio diário de rojões.
“Salientamos que o número de árvores podadas é insignificante se comparado ao total existente no localâ€, ressalta a assessora de imprensa da FOB, Mariene Ramalho. Ela acrescenta que a poda foi feita pela equipe técnica da Semma tomando-se o cuidado para a preservação das árvores, incluindo aplicação de fungicida nos galhos cortados para evitar o aparecimento de brocas e fungos.
As pombas passavam a noite na copa das árvores do estacionamento, local de grande circulação de pessoas entre pacientes, alunos, funcionários e professores da FOB.
Gambá e maritaca
Não só pombas têm causado preocupação aos bauruenses. O gambá, um bicho que até pouco tempo estava restrito às matas da região, têm sido encontrado dentro de residências até da área central, segundo o secretário municipal do Meio Ambiente (Semma), Luiz Pires. “Eles invadem as casas à procura de comida do lixoâ€, diz.
A Semma recebe, por semana, entre cinco e seis solicitações para a retirada de gambás de dentro de residências. “Em muitos casos eles estão no forro das casas. Nós os retiramos e soltamos na mataâ€, conta. Pires alerta que o animal pode atacar na hora de tentar retirá-lo de um determinado local.
Como a pomba amargosa, a presença do gambá na cidade é um reflexo do desmatamento e do desequilíbrio ambiental, de acordo com Pires. A maritaca, uma ave natural da região, também já está transformando-se em praga. â€œÉ uma ave que quase todo mundo gosta, acha bonita. Mas se resolver fazer ninho no forro da sua casa, transforma-se em problemaâ€, ressalta.