Dados fornecidos pelo Batalhão da Polícia Militar de Bauru indicam que os números de roubos e furtos de veículos diminuíram 28% nos cinco primeiros meses deste ano na cidade.
De janeiro a maio de 2001 foram registrados 25 roubos e 292 furtos, enquanto no mesmo período, já em 2002, o total caiu para 231 - 19 roubos e 202 furtos. No ano passado, foram contabilizadas 719 ocorrências do gênero em Bauru - 666 furtos e 53 roubos -, o que resultou em uma média mensal de, respectivamente, 55,5 e 4,41. Diante do atual cenário, as médias mensais também tornaram-se menores que as de 2001: 40,4 furtos e 3,8 roubos.
Bauru acompanha os resultados da pesquisa realizada pelo Cadastro Nacional de Veículos Roubados (CNVR) e divulgada recentemente pela Agência Folha. Ela revelou que os números de roubos e furtos de carros no primeiro trimestre de 2002 no Estado caíram 3%.
Entretanto, a cidade diferencia-se das conclusões do estudo quando comparada com o restante dos Estados. A pesquisa constatou que, no País, o índice foi 4,5% maior do que o mesmo período no ano passado.
No primeiro trimestre, conforme o CNVR, foram registradas 94.266 queixas de veículos roubados este ano, enquanto em 2001 foram 90.174. Os Estados que mais contribuíram para o crescimento do roubo foram a Bahia (52%), Goiás (40%), Rio de Janeiro (19%), Pernambuco (18%) e Minas Gerais (13%), Além de São Paulo, também registraram redução o Mato Grosso, com 21%, e Santa Catarina, 4%.
Segundo o CNVR, mais de mil veículos são roubados diariamente em todo o Brasil e uma parcela significativa desse total volta a circular nas ruas e estradas, quase sempre com a numeração de chassi e agregados adulterada.
Mais visados
Segundo o comandante da 1ª Companhia da Polícia Militar, capitão Benedito Roberto Meira, Bauru possui uma característica diferente de outros locais do País, onde os principais alvos dos furtos são os automóveis importados e de luxo. Ele ressalta que no ranking regional dos carros mais visados figuram aqueles com mais de dez anos de uso, principalmente modelos como o Gol, Fusca, Opala, Corcel, Chevette e Monza.
A preferência pelos “velhinhos†não é por acaso. A maioria dos veículos furtados ou roubados irá abastecer o mercado “negro†de peças. Meira exemplifica que Bauru enfrentou, há algum tempo, uma onda de furtos de Chevette. “Isso porque não se encontram mais peças dele nas autorizadas, somente no mercado paralelo. Neste, como as peças são caras, o interessado acaba procurando em locais cujo preço é menor, mas de proveniência ilegal.â€
O comandante complementa que Polícia já detectou pessoas, que se identificavam como supostos “viajantesâ€, vendendo peças furtadas para oficinas. O capitão destaca, ainda, que as caminhonetes a diesel lideram a lista dos automóveis novos mais furtados ou roubados em Bauru.
Cuidados
Para o comandante, os furtos e roubos de automóveis dependem da audácia do marginal e das condições que as vítimas lhes oferecem. Para tentar evitá-los, Meira faz uma série de recomendações.
A principal delas é a instalação de dispositivos de segurança, como alarmes e travas. Mas ele enfatiza que os mais baratos devem ser evitados, pois estes, segundo ele, não são os mais indicados. “Muitos compram aqueles que ficam ligados à buzina somente. Como é um local de fácil acesso, o ladrão corta o fio e, consequentemente, o próprio alarmeâ€, diz Meira.
Ele complementa que o marginal não irá procurar o carro mais bonito, e sim aquele mais fácil, com menos equipamentos de proteção, para furtar. “Se o veículo possuir travas, um alarme e estiver estacionado em um local movimentado, dificilmente se tornará alvo dos ladrões. Mas se estiver em um local escuro e sem dispositivos de segurança, as probabilidades de ser furtado aumentamâ€, considera o capitão.
Meira adverte, ainda, que os locais com grande concentração de veículos, como as festas juninas, tornam-se chamarizes para os marginais. â€œÉ uma época propíciaâ€, diz ele.
Seguros
Para o capitão Meira, outra opção recomendável é segurar o automóvel contra furtos e roubos. “O seguro é uma garantia, pois não se pode pensar que estamos imunes a essas situações. A qualquer momento alguém pode encostar um revólver na sua cabeça e roubar seu veículoâ€, pondera ele.
Mas o comandante ressalta que, no caso de automóveis com mais de dez anos de uso, o cenário se altera. “Ao comprar um carro nessas condições, a pessoa terá dificuldades para contratar um seguro, pois muitas seguradoras não aceitam veículos com essa idade. Por isso, para prevenir-se de acidentes ele não tem outra alternativa a não ser fazer seguro contra terceirosâ€, frisa Meira.
Para as motocicletas, o capitão recomenda a instalação de alarmes. “Como não há campo para seguros, pois as seguradoras se recusam a fazê-los em motocicletas, o ideal é instalá-los, pois são comercializados a preços acessíveisâ€, conclui ele.
Vítima
O vendedor bauruense E.R.P., que preferiu não se identificar, já teve o carro furtado uma vez. O fato ocorreu quando ele deixou seu automóvel na época, um Escort, estacionado na rua. “Fui trabalhar e parei o veículo de manhã. À tarde, quando fui pegá-lo, não estava mais lá. Fiz o boletim de ocorrência e depois de uns 10 dias a polícia conseguiu recuperá-lo, mas ele estava todo depenadoâ€, conta ele. Apesar disso, E. era segurado e, depois de arrumá-lo, acabou vendendo-o.
Mas ele também já teve o desprazer, por duas vezes, de ter o som de seu veículo furtado. A mais recente aconteceu na garagem em plena garagem de sua reidência. Por conta disso, tomou uma decisão: “Não compro mais CD para instalar no carroâ€, garante ele.
E. considera que, por mais que se tome cuidado, os ladrões sempre arranjam uma forma de furtar ou roubar o automóvel. “Sempre parei em lugares movimentados e tenho trava e alarme no carro, mas não adianta. Quando eles querem roubar, não estão nem aí para isso e não importa os cuidados que se tomem.â€