08 de julho de 2026
Polícia

Nova onda de roubo a ônibus preocupa

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Preocupados com os roubos a ônibus em Bauru, motoristas, cobradores e o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (Sindtran) estão cobrando mais blitze nos veículos. Apenas na noite de anteontem, foram registrados seis assaltos a coletivos. A Polícia Militar (PM), por sua vez, diz que as blitze devem aumentar, mas cobra apoio da população e das empresas responsáveis pelo transporte coletivo.

Segundo Elias Pinheiro da Silva, presidente do Sindtran, durante o mês de junho, até a tarde de ontem, foram registrados 25 roubos a ônibus no Município. Ele afirma que a média mensal dessas ocorrências tem sido de 30, mas alega que a freqüência aumentou neste mês.

As linhas mais visadas são as que percorrem as regiões do Parque Jaraguá, Vila Nova Esperança, Parque Santa Edwirges, Parque Tangarás, Pousada da Esperança e Núcleo Fortunato Rocha Lima.

Segundo a assessoria de imprensa da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb), 85% dos roubos estão concentrados no Parque Jaraguá e na Vila Nova Esperança. A assessoria não dispõe, no entanto, de números absolutos referentes a tais crimes.

Apesar da predominância dos assaltos a coletivos ser à noite, Silva afirma que eles têm sido praticados também durante o dia. “Não tem mais horário. Pode acontecer a qualquer momento, em qualquer lugar. Ontem (anteontem), foi às 17h”, diz.

O presidente do sindicato acredita que os assaltos são realizados com a finalidade de render dinheiro para comprar drogas. “Na maior parte das vezes são menores com características de usuários de drogas”, observa.

Agora, os ladrões estariam levando não apenas o dinheiro do caixa, mas objetos pessoais de cobradores, motoristas e usuários, assim como partindo para agressões físicas contra os profissionais - coronhadas e ferimentos com armas brancas.

O presidente da Transurb, José Antônio Jacomelli, afirma estar preocupado com a situação e acredita que a solução para o problema seria a intensificação da atuação preventiva e ostensiva das polícias Civil e Militar. “A impunidade leva ao aumento da violência”, expõe.

Susto

O cobrador Messias Ferreira de Almeida, há um mês, foi vítima de um assalto a ônibus, pela segunda vez. Ele trabalhava na linha Parque Jaraguá/Nove de Julho - Beija-Flor e o veículo foi abordado por volta das 21h.

“O susto é grande. Era um moleque com uma faca de um metro dizendo que só levaria o que era da empresa. Ele estava apavorado e conseguiu levar R$ 17,00”, conta.

Para o motorista Paulo César de Faria, funcionário da Baurutrans, a solução é uma atuação reforçada da polícia nas áreas em que há mais roubos a ônibus. Ele foi vítima de um há quatro meses, na Pousada da Esperança. Três adolescentes roubaram R$ 300,00 do coletivo e o feriram com uma faca. “Você não tem reação. Dá uma tremedeira e você não pode fazer nada”, diz.

O presidente do Sindtran afirma que se as blitze não forem intensificadas, há possibilidade de paralisações-relâmpago ou operações tartaruga. “Podemos recolher os ônibus nas regiões mais críticas em assaltos”, ameaça. “Temos provas de que quando há mais vigor na atuação da polícia a incidência cai acentuadamente”, acrescenta.