11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Copa do Mundo! - Uma visão sociológica


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No jornal “O Estado de S. Paulo”, de 6/6/2002, dentre as matérias que foram veiculadas, duas nos chamaram a atenção pela essência sociológica, apesar da visão diferenciada. Na primeira: “Na Copa, tecnologia sucumbe ao som do apito”, o jornalista Robson Pereira, expõe que esta seria a primeira Copa do Mundo 100% digitalizada e dotada de um aparato técnico jamais utilizado. Na cobertura dos jogos, com o apoio de mais de 5 mil técnicos de 300 empresas diferentes, serão utilizadas para transmissão em tempo real para 215 países, imagens captadas por 200 câmeras digitais e, na partida final, dia 30 em Yokohama, estarão em ação 23 dessas câmeras, sincronizadas e distribuídas de tal forma a mostrar tudo que se mova em campo, mesmo que não seja a bola. Ressalta porém que esta tecnologia, possível graças a milhões e milhões de dólares, poderá se curvar à decisão de alguém que tem como instrumento de trabalho um simples apito de R$ 30,00!

Na segunda matéria: “A ordem mundial da Copa”, o antropólogo Roberto Da Matta, afirma que “a Copa, promovendo a disputa entre países, faz com que o torneio se assemelhe a uma guerra mundial, onde pode-se condensar simbolicamente em cada Estado-nacional, reduzido a uma equipe, todos os vícios e virtudes de tudo o que é visto como representativo daquela coletividade.” Em sua opinião, “para os brasileiros, cuja auto-representação foi sempre marcada por uma brutal ausência de auto-estima e por um autojulgamento não só crítico, mas, sobretudo, flagelador e até mesmo amargamente fundado na auto-rejeição, a Copa é um momento de teste, ocasião para avaliar o rendimento de virtudes e defeitos”

Para Da Matta, o futebol pode ser “uma usina, capaz de promover tanto os mais terríveis enganos e roubalheiras, quanto o mais puro e legítimo sentimento de patriotismo – esse lado pouco falado, mas fundamental do nacionalismo. Esse pertencer que, como dizia Herder, é mais importante do que as necessidades biológicas porque é ele quem as determina e as torna significativas”. Descobrimos porque amamos tanto esse jogo que nivela todas as diferenças e, especialmente, pretensas superioridades. (Tito Pereira - CRO-546/DF)