A fotografia é um elemento indispensável na vida da professora aposentada Maria Monte Serrat Borro Gonçalves, a Mirita, de 76 anos. Para ela tudo é motivo para fotografar, até os passeios ciclísticos que passam em frente ao seu apartamento.
Os sobrinhos a consideram a “guardiã das fotos da famíliaâ€, mas ela dispensa o título. Entretanto, basta dar uma voltinha pela sua casa e encontrar fotografias nas estantes, nas paredes e em álbuns, muitos álbuns.
Mirita não sabe ao certo quantas fotografias tem guardadas e diz que algumas já se perderam pela família. “Tem sempre um que pede esta ou aquela e acaba não devolvendo. Mas realmente eu tenho uma porção de fotos.â€
O hábito de tirar e rever fotos desde a adolescência também proporcionou à Mirita e suas quatro irmãs viúvas um encontro mensal -cada mês na casa de uma delas-, onde elas, além de colocar a conversa em dia, ampliam a galeria de fotos da família, muitas tiradas por elas com a antiga câmera do pai. “A dona da casa ou quem leva a máquina fica com os negativos e as demais fazem cópias.â€
Na viagem pelo tempo proporcionada pelos inúmeros álbuns e porta-retratos da professora estão seus avós, que imigraram da Itália, seus pais, irmãos, sobrinhos, primos, cunhados, seus quatro filhos, os sete netos e os acontecimentos que marcaram a vida da família, como casamentos, bodas de ouro e o encontro de um irmão padre com o Papa João Paulo II, bem mais jovem e saudável.
O mais interessante é que Mirita sabe a história de cada fotografia. “Alguma data eu deixei passar pela correria da vida, mas o resto está tudo registrado.â€, conta.
Ela guarda com carinho as fotos da primeira escola em que lecionou, em 1955: uma casa de madeira na colônia Dourado, na região de Adamantina, tempo em que precisou deixar em Bauru o marido José. “Era um tempo muito diferente, onde até atestado era registrado em cartório.â€
Passado x futuro
Sobre o advento da fotografia digital, Mirita aponta que não quer nem tomar muito conhecimento por enquanto. Ela prefere deixar a tecnologia para os filhos e netos e espera que eles saibam cuidar do seu legado.
A professora admite que gosta da evolução das fotos coloridas e dos filmes cada vez mais brilhantes. Também gostou de ter trocado uma câmera manual Olympus por uma automática Cannon, mas mesmo assim o que lhe interessa é registrar momentos hoje e olhar amanhã, mesmo que esse hoje tenha mais de 50 anos.
“Eu estou na linha do vento, mas a fotografia faz com que a gente esteja presente em tudo. Seja na turma dos meninos da rua XV de Novembro ou nos almoços do Bauru Ilustradoâ€, brinca.
Ela conta que sente saudades do tempo em que a fotografia era um evento e a família inteira se mobilizava para não perder o clique do retratista, era um evento. Hoje, Mirita diz que até perdeu um pouco do glamour. “Por isso, nós que estamos no 70 e vivemos no passado temos na fotografia uma maneira de viver sempre assim, felizes como tivemos o privilégio de ser retratados.â€