08 de julho de 2026
Saúde

Tatuagem é 'casamento' para sempre

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Quem decide fazer uma tatuagem sobre determinada região do corpo precisa ter consciência de que deverá carregar aquela marca por toda a vida. O alerta é do dermatologista Cláudio Tonello. “A menina que fez uma tatuagem aos 15 anos tem que lembrar que, aos 75 anos, a figura vai estar enrugada, mas vai estar lá. É um casamento em que não há divórcio”, observa.

Tonello ressalta que a remoção de uma tatuagem até pode ser feita com aparelhos a laser, mas sempre vai restar uma cicatriz, que pode ser inestética e bastante desagradável. Segundo ele, o processo consiste em promover uma queimadura de terceiro grau na pele, tendo como resultado uma cicatriz semelhante à queimadura de moto.

“A gente não pode esquecer que o ser humano envelhece. Você faz uma tatuagem nas nádegas hoje e amanhã você é uma senhora de 50-60 anos, que não se sente bem de ir à praia ou à piscina com aquilo. Podemos tirar, mas você vai trocar um desenho, que é arte, por uma marca que, muitas vezes, é pior que a tatuagem”, comenta a cirurgiã-plástica Telma Vidotto de Sousa.

O tatuador Marcelo Paro, 29 anos, confirma o problema. Ele conta que há vários casos de pessoas que retiram uma tatuagem e ficam tão insatisfeitas com a cicatriz que voltam e pedem para tatuar outra figura em cima, promovendo agressões sucessivas à pele.

“Por isso, a gente orienta muito e fala que a tatuagem é uma atitude que precisa ser muito bem pensada e estudada. É um negócio muito sério. Você tem que se informar, tem que perder horas, dias escolhendo e elaborando o desenho que vai fazer, imprimir uma particularidade sua neste desenho, até ficar à vontade e decidir fazer mesmo”, defende Paro.

Higiene e qualidade

Outro quesito que deve ser muito bem observado na hora de se fazer uma tatuagem, segundo os médicos, são as condições de higiene do local de aplicação. O procedimento requer perfuração da pele e contato com sangue. Por isso, o ambiente deve ser muito limpo, o material deve estar perfeitamente esterilizado e as agulhas devem ser descartáveis.

“Os cuidados que devem ser tomados são iguais aos de uma cirurgia. O uso de uma agulha contaminada pode transmitir doenças, como a hepatite, viroses, infecções e até mesmo o HIV. Inflamações locais, nós tratamos com antibióticos. Mas outras doenças podem aparecer”, ressalta Tonello.

O dermatologista Wagner Monteiro Cardoso também chama a atenção para a qualidade do material usado, pois os pigmentos podem causar alergia e a remoção deles só pode ser feita com cirurgias a laser e conseqüentes cicatrizes, inclusive quelóides (tipo de tumor que se forma sobre a cicatriz).

Maquiagem definitiva contradiz tendência

Fazer uma maquiagem definitiva é a mesma coisa que condenar-se a não mais seguir a moda. Procedimento parecido com a tatuagem, sua remoção é ainda mais complicada, pois trata-se do rosto, onde qualquer cicatriz será inestética.

“O estilo de maquiagem muda de acordo com a época. Hoje, por exemplo, está na moda o estilo egípcio, com o olho bem carregado. De repente, você acorda cedo para ir à praia e está com aquela maquiagem. Não é nada bonito”, destaca a cirurgiã-plástica Telma Vidotto de Sousa.

Ela conta que, recentemente, corrigiu a maquiagem definitiva de uma senhora que se sentia ridícula ao sair às ruas. Ela tinha o canto dos olhos puxados (tipo gatinho) e teve que se submeter a uma cirurgia plástica. “Fizemos porque a área era pequena e não era pilosa (onde há pêlos), senão não poderíamos ter feito”, reitera a médica.

Para o dermatologista Cláudio Tonello, o procedimento só é válido para maquiagens muito suaves e delicadas, feito por profissional de extrema competência. “Porque eu já vi mulheres em que a pessoa levantou a sobrancelha para desenhar e causou um defeito. Agora, e se a tendência muda? No passado, a moda era sobrancelha finíssima. Hoje, usa-se sobrancelha grossa. E se amanhã abolirem a maquiagem?”, questiona.

Para o dermatologista Wagner Monteiro Cardoso, nenhum modismo que marque a pele vale a pena. “Porque, no futuro, a pessoa pode querer tirar e isso vai ter conseqüências”, afirma.