Com muito jeito, lentamente, elas foram consquistando seu espaço. Na verdade, ainda lutam para alcançar seus objetivos, mas de uma maneira ou de outra, com muita discrição, elas são capazes de mudar o perfil de uma empresa e isso vem ocorrendo cada vez mais.
Essa novidade foi constatada pelo administrador de empresas chileno, Júlio Lobos, que acaba de lançar o livro “Mulheres que abrem passagem - E o que os homens têm a ver com issoâ€. Ele realizou uma pesquisa nas principais revistas de negócios e coletou diversos depoimentos de mulheres que ocupam posições de destaque nas empresas em que trabalham.
Uma das constatações de Lobos, por exemplo, é que “o homem não tem paciência, não tem tempo para ouvir o cliente, para analisar reclamações. Então a mulher aparece como uma solução, porque ela tem essa sensibilidade.â€
Outra afirmação é que a mulher é mais capaz de acumular várias funções, podendo realizar todas com muita competência. O psicólogo organizacional Marcelo Herrera Gonçales explica isso: “A mulher sempre foi educada para cumprir várias tarefas, dona de casa, mãe, esposa, enfim, ela desenvolve vários trabalhos ao mesmo tempo e, portanto, tem essa capacidade e demonstra facilidade em relação a issoâ€, diz Gonçalves
Com tudo isso, a mulher faz com que as empresas mudem seu perfil, ou seja, exijam também dos homens, a paciência, o tempo, a sensibilidade, a capacidade multifuncional.
No entanto, nem tudo são flores e as mulheres ainda cometem alguns deslizes que, de acordo com Júlio Lobos, são cruciais no mundo executivo. O uso da intuição é um deles. “Esse é um exemplo muito bom porque é uma boa qualidade, mas que causa estresse quando ela é exagerada ou colocada no momento inoportunoâ€, afirma em uma entrevista cedida para o site Qualidade de Vida.
Lobos relata no seu livro que a realidade da mulher executiva ainda não é ideal. Em todo o mundo, de acordo com a pesquisa realizada, elas ocupam pouco mais de 10% dos cargos mais importantes. No Brasil, a situação não é diferente, mas por outro lado, elas estão abrindo caminho cada vez mais rápido.
Lobo finaliza sua entrevista apontando o perfil ideal da mulher executiva: “o caminho da mulher mais inteligente, a mulher que se espera, a nova geração feminina, é de manter a sua autenticidade e adotar os trejeitos masculinos que venham ao caso, ao invés de copiá-los irrestritamente.â€
Minoria
Como aponta Lobos, as mulheres em cargos elevados são pouco mais de 10% em todo o mundo. Elas ainda são minoria. Isso é fato. O mercado corporativo está recheado de homens e eles dominam as posições de destaque, mas isso está mudando sim. A gerente executiva do INSS de Bauru, Maria Lúcia Custódio Alves Pfaifer, lembra que, pela primeira vez na história, a presidência do Instituto está das mãos de uma mulher, Judith Izabel Izê Vaz. “Acho isso muito interessante e é um exemplo de que as coisas estão mudandoâ€, diz.
Ela, que assume também um posto de chefia, se diz envaidecida. Maria Lúcia acredita que a mulher tem mais sutileza, sensibilidade e é capaz de tomar decisões mais justas que o homem. “A mulher é mais comprometida. Ela dá o que tem de melhor e avalia sempre antes de tomar uma decisão com o objetivo de ser o mais justa possívelâ€, afirma.
Além disso, Maria Lúcia, que gerencia vários homens, acha a mulher mais franca que o homem. “Os homens têm mais dificuldade em se expor. A mulher não. Se for preciso ficar na oposição, contanto que se defenda o correto, ela faz, não tem medoâ€, afirma.
Outro exemplo de luta vencida é da gerente adjunta administrativa da agência da Vila Cardia da Nossa Caixa, Nosso Banco, Ana Maria Zorzella Xavier. Ela gerencia 19 pessoas, sendo que sete são homens. “Não sofro problemas de discriminação ou preconceito. As pessoas me respeitamâ€, conta.
Ana Maria acredita que a mulher, quando se propõe trabalhar, é preciso concorrer de igual para igual, galgar uma posição de destaque. “A concorrência com o homem deve acontecer naturalmente. Os dois são capazes de assumir uma posição elevada, cada um com seus méritosâ€, afirma.
Apesar do fato de que, ainda hoje, de acordo com o psicólogo organizacional Marcelo Herrera Gonçales, a mulher não tem o mesmo salário do homem, ocupando a mesma posição, Ana Maria afirma que no seu trabalho nunca sofreu essa discriminação. “Eu discordo disso. Se a pessoa tem o mesmo tempo de serviço, a mesma responsabilidade, tem que ganhar igual, independente do sexoâ€, diz.
Salário
Gonçales conta que, na década de 80, a mulher ganhava a metade do salário do homem, ocupando a mesma posição. Hoje, ele calcula que a mulher ganha dois terços do salário do homem. “A mulher já conquistou um pouco, mas ainda está aquém da igualdadeâ€, diz.
Ele alerta para o fato de que as mulheres já conquistaram a posição de assumir cargos de chefia, mas ainda não fazem parte das decisões importantes dentro de uma empresa. “Isso ainda está nas mãos dos homens.â€
Ana Maria conta que algumas pessoas chegam na agência bancária onde trabalha, vão até sua mesa, onde há uma placa indicando sua função de gerente e, mesmo assim, lhe perguntam sobre o gerente. “As pessoas ainda não se habituaram com o fato de que uma mulher pode ser a gerente, mas isso ocorre porque sempre gerentes de bancos eram homens. Isso vem de muitos anosâ€, explica.
A psicóloga organizacional Célia Maria Lopes da Silva concorda com Ana Maria. Ela diz que a sociedade patriarcal, a educação que as pessoas receberam faz com que as pessoas e, mesmo as mulheres, sintam uma certa dificuldade em perceber que as coisas estão mudando. “A mulher está trabalhando fora há pouco tempo. Hoje ela ocupa 50% da força de trabalho mundial. As conquistas vêm ocorrendo aos poucosâ€, afirma.
Célia também defende o lado da capacidade da mulher em realizar várias funções ao mesmo tempo. “Ela conquistou seu espaço lá fora, mas continua administrando sua casa, seus filhos, enfim, é muito mais capaz do que o homem nesse sentidoâ€, observa.
A psicóloga explica que essa capacidade feminina é desenvolvida desde muito cedo. “Enquanto os meninos brincam com um carrinho, as meninas brincam de casinha, mas uma casinha com tudo o que se tem direitoâ€, compara.