09 de julho de 2026
Bairros

Revitalização segue a passos lentos

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Três anos depois de começar a ser discutido, o projeto de revitalização da região central de Bauru ainda caminha a passos lentos. Até agora, as mudanças não surtiram os efeitos desejados. Pelo contrário, acabaram gerando reclamações e insatisfação por parte de alguns comerciantes.

De acordo com a secretária municipal do Planejamento, Maria Helena Rigitano, a revitalização do Centro não tem um cronograma definido para a sua realização. â€œÉ um trabalho que terá de ser realizado constantemente. Além das mudanças, a revitalização exige manutenção”, diz.

A primeira discussão em torno do tema foi feita em setembro de 1999. Na ocasião, uma comissão formada por representantes da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da prefeitura e do comércio realizou um wokshop no Automóvel Club.

Do evento, nasceu um diagnóstico dos principais problemas da área central e foram traçadas propostas visando a melhoria da região.

A maioria delas, de competência do poder público. No entanto, há várias ações que poderão (e deverão) ser realizadas com a participação da iniciativa privada, principalmente com o envolvimento dos comerciantes daquela área da cidade, os principais interessados na atração de consumidores.

Perdendo freguesia

A consolidação dos shopping centers, há cerca de 15 anos, foi um dos fatores que impulsionaram a diminuição do glamour do comércio da área central. As pessoas começaram a buscar os centros de compras pela estética, segurança e comodidade oferecidas nesses locais.

No entanto, os empreendimentos não foram capazes de suprir todas as necessidades dos consumidores. “No shopping não existe a diversidade de produtos do Centro da cidade”, define Antonio (ele só permitiu a divulgação do primeiro nome), proprietário de um prédio comercial na região central de Bauru.

Dessa maneira, ele destaca porquê as lojas da região central continuam recebendo clientes. “Acho que isso seria um dos fatores que explicam o movimento na região central, já que o local não oferece outros atrativos”, critica.

A poluição visual, a falta de segurança e a dificuldade de estacionamento são outros problemas apontados pelos consumidores na região central.

O projeto de revitalização, que começou a ser implementado, tem como objetivo combater esses entraves e dar um novo conceito ao centro de compras.

A morosidade no andamento do projeto é atribuída à crise financeira que atinge os lojistas e à falta de incentivo fiscal por parte da administração municipal.

Rigitano explica que já foi elaborada uma proposta visando dar descontos em tributos para os comerciantes que investirem na reestruturação de suas lojas, mas a Lei de Responsabilidade Fiscal estaria atrapalhando a aprovação dessa proposta.

“O projeto está sendo analisado pela Secretaria de Negócios Jurídicos, já que a prefeitura não pode simplesmente descontar o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) de quem participar da revitalização”, salienta a secretária.

Vazio habitacional

Um dos pontos destacados pelo projeto diz respeito ao vazio habitacional da região. “Se as pessoas voltassem a morar no Centro da cidade teríamos um retorno da movimentação naquela região, abrindo possibilidades para a extensão do horário de funcionamento das lojas e a instalação de equipamentos de lazer”, salienta Walace Garroux Sampaio, presidente do Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio).

No entanto, para os corretores de imóveis, a proposta é inviável, principalmente devido à poluição sonora e do ar, que tem afastado as pessoas para bairros mais distantes. “Mesmo se o Centro for revitalizado, acho que as pessoas se sentirão isoladas morando lá”, afirma José Martinho Teixeira da Silva, diretor da Associação dos Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba).

Quem reside em prédios e até mesmo casas nas ruas centrais de Bauru diz que a comodidade e a facilidade de locomoção são as principais vantagens de morar na região. “Não preciso usar o carro para nada”, ressalta Élio Guerreiro, que mora com a esposa e seis filhos numa das mais movimentadas vias da cidade: a rua 13 de Maio.