O Município de Bauru poderá deixar de contar com 6.344 novas moradias neste ano por problemas de abastecimento de água em diferentes bairros. Levantamento junto ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) e Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) mostra que apenas os projetos previstos para parte das regiões oeste e nordeste teriam condições de aprovação para os próximos meses em função do abastecimento.
A grande maioria dos 31 novos empreendimentos consultados por construtoras junto à Seplan esbarra em capacidade de reservação ou de produção de água nas regiões noroeste, norte e leste da cidade. Conforme os estudos consultados à prefeitura - em confronto com os investimentos planejados pelo DAE -, apenas 1.524 novas casas estão em condições de aprovação sem a dependência por poços profundos e reservatórios elevados e semi-enterrados.
Algumas das ações planejadas pelo DAE podem minimizar as dificuldades, mas os investimentos aguardam dinheiro. Segundo dados fornecidos pela assessoria de imprensa da autarquia, as demandas por novas moradias encontram conforto de abastecimento apenas nas proximidades da Estação de Tratamento de Água (ETA), perto do Parque Sabiás, e na zona norte, próximo da Quinta da Bela Olinda.
Mas, desses locais, os projetos para construções estão concentrados em dois pontos principais, um na região da rua Bernardino de Campos. Nesta área, da região Oeste, a Seplan recebeu consultas para 884 moradias espalhadas pela Vila Independência, Jd. Jussara, Sabiás e Monte Verde.
Na área da Quinta da Bela Olinda há solicitações sem maiores dificuldades para outras 640 moradias, entre o Núcleo Bauru 2000 e Jardim Silvestre. Mas nas demais áreas consultadas pelas construtoras não há disponibilidade de abastecimento de água, segundo o DAE.
A deficiência é o maior obstáculo para mais de R$ 60 milhões de investimento disponibilizados pela Caixa Econômica Federal (CEF) para o Programa de Arrendamento Residencial (PAR), uma espécie de leasing habitacional. A questão é que os recursos estão abertos para utilização em 2002. O tempo e a incapacidade de seguidos investimentos do lado da autarquia municipal ampliam as chances de muitas moradias não saírem do papel.
A assessoria do DAE lembra, confiante, que o recurso potável existe. O que está escasso é o recurso monetário. “Há água no subsolo, mas falta dinheiro para perfurar inúmeros poços, para construir reservatórios e adutoras e ainda fazer a manutenção do sistema. Mas as ações estão planejadas por ordem de prioridade. Temos uma das menores tarifas de água do Paísâ€, comenta a assessoria.
Em discussão
A secretária de Planejamento, Maria Helena Rigitano, participa de uma reunião marcada para hoje, às 16h, no DAE, para discutir o assunto. Representantes das Secretarias de Saúde e Educação também vão comparecer ao encontro com os empresários de construtoras. Além de água e esgoto, os moradores precisam de vagas em escola, atendimento de saúde e disponibilidade de área verde nos novos empreendimentos.
Rigitano menciona que já eram conhecidas as dificuldade de abastecimento em diferentes pontos da cidade. Ela cita que alguns empreendimentos construídos nos últimos anos contaram com investimentos realizados pelas próprias construtoras para suprir a dificuldade. “Sem viabilidade de abastecimento de água não há como aprovar projetos de construção. Vamos verificar caso a caso e discutir o que é possível fazer, se existem outras glebas disponíveis em outras regiõesâ€, antecipa Rigitano.
O superintendente da CEF, Miguel Sampaio Jr., já havia antecipado ao JC que os financiamentos não são aprovados sem a anuência do DAE para as novas demandas de água. A posição foi mencionada em matéria do último domingo, que apontou as mesmas dificuldades com 1.348 novas residências projetadas para a região do Núcleo Geisel. A autarquia informa que já existe carência de abastecimento na área o que impossibilita o atendimento.
O quadro desta página mostra o número de residências solicitadas para diferentes bairros da cidade. O maior número de pedidos se concentra na região noroeste, nas proximidades da Vila Industrial, Nova Esperança e Parque Roosevelt. Seriam 2.244 casas na região.
Mas o setor enfrenta dificuldades de abastecimento desde o início dos anos 90. O agravamento da situação levou o DAE a perfurar um poço em situação de emergência, sem licitação, em abril de 1999.
Outro ponto crítico está na região do Núcleo Otávio Rasi, na parte leste da cidade. As construtoras querem 1.480 novas casas na área, além das 1.348 para glebas um pouco mais distantes, ao lado do Jardim Olímpico e Geisel. Outras 1.272 moradias compõem processos na região norte, perto dos bairros Gasparini, Colina Verde, Jd. TV e são Geraldo. Porém, para todos esses setores não há reserva ou produção de água suficiente para a demanda reprimida.