10 de julho de 2026
Articulistas

Separe-se o joio do trigo


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Não parece certo afirmar-se que o mundo dos humanos se tornou um expositor de violências sobre-humanas, pois ele o é desde a antigüidade, do que se tem notícias perlustrando-se as páginas do Velho Testamento, que datam desde os primeiros tempos dos homens e das coisas. Ele, apenas, teria enveredado para caminhos novos nestes novíssimos tempos, vale dizer-se, inventou modelos diferentes, imensamente díspares, modernizando-se da mesma forma que o mundo fez em si. Não tinha por que parar no espaço e, logicamente, seguiu resolutamente em frente, fazendo o que lhe aparecia bem ou mal inspirado, tamanho ínfimo ou avantajado, alegre ou triste. Então, a sua explosão não é novidade. O que constitui absurdo, e dos maiores, ninguém o ignora, é a inserção da violência em tudo, inclusive nas camadas infantis. E o fez em estilo abrupto, como se pode testemunhar no dia-a-dia do País e, desgraçadamente, no recesso das famílias, no qual não apenas jovens mas adolescentes e até infantes (a maioria delas) deixam de se comportar socialmente, faltando com o respeito para com os pais, irmãos, amigos e quantos os cercam em seus caminhos. E não se retêm nem em suas maldosas manifestações, pois que conduzem seus deploráveis desatinos até às fronteiras do crime, em conseqüência do que os jornais noticiam, diariamente, e a sociedade fica sabendo, de crianças que agridem ou tiram a vida dos próprios genitores. É de admirar que, tratando-se de anomalias do território infantil, tão poucas pessoas se apercebam de que o desamor e os desatinos de crianças e jovens tenham professores visíveis, como sejam os exemplos explícitos de certos programas de televisão, os quais mostram o que fazer e como fazê-lo, ministrando deploráveis lições de selvageria que vêm para ficar, denotando que a problemática tem uma seqüência ininterrupta, condicionada a marchar tempos afora. Nasceu na idade da pedra e seguirá indefinidamente no rumo do eterno se não tiver nos pais ou responsáveis mestres preparados para mostrar aos menores sendas absolutamente sadias, que os impeçam de assimilar os maus “conselhos” que as danadas telinhas domésticas possam incutir-lhes. É indispensável condicionar a criança para conviver com a televisão, a violência e a crueldade, que as cenas transmitem, sem se deixar influenciar por todo mal inerente ao invento, o que só será conseguido na medida em que os genitores ensinarem seus descendentes a usarem a própria cabeça, imunizando-a conscientemente contra a desgraça, sem que isso possa ser entendido como grosseiro boicote, até porque - convenha-se - a TV tem também acenos positivos, como os do “O Clone” que acabou. Saiba-se separar o joio do trigo... É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)