Quem se desiludiu com as perdas nos fundos de renda fixa e DI (depósito interbancário) registradas no último dia de maio e pretende interromper as aplicações para investir em projetos pessoais, tem diversas opções pela frente. O Jornal da Cidade consultou alguns economistas para passar orientações aos investidores sobre as melhores e as menos indicadas formas de utilizar esses rendimentos.
Conversando com pessoas que possuem dinheiro investido nesse tipo de aplicação financeira, a reportagem apurou que muitos pensam em adquirir imóvel próprio e proteger o capital através dos rendimentos do aluguel. Segundo os economistas Reinaldo César Cafeo e Carlos Roberto Sette, investir em imóveis é sempre uma boa opção por ser seguro. Contudo, o item retorno mensal deve ser observado com cuidado.
“Durante muito tempo, até o início do Plano Real, a remuneração obtida com o aluguel girava em torno de 1% ao mês sobre o valor do imóvel. Atualmente, em função da grande oferta no mercado, esse índice tem ficado em cerca de 0,5%. Então, de um lado o investidor tem a segurança e, de outro, abre mão da rentabilidade, já que esse patamar fica abaixo do rendimento da Caderneta de Poupança, que é de 0,7% ao mêsâ€, orienta Cafeo.
Também é preciso levar em conta uma possível demora para conseguir alugar o imóvel. Se isso ocorrer, o proprietário terá que arcar com gastos como IPTU e, no caso de apartamento, com o condomínio do prédio.
O economista Mauro Fernando Galo diz que o investimento em si é interessante por ser seguro. “Por outro lado, é de baixa liquidez. Por esse motivo, não é indicado para quem precisa de rentabilidade imediataâ€, observa Galo.
Negócio próprio
Para quem pensa em direcionar os rendimentos obtidos até o momento para abrir seu próprio negócio, Cafeo diz que tudo vai depender do porte do empreendimento e de planejamento. Estatísticas mostram que cerca de 70% das empresas de pequeno porte fecham suas portas durante o primeiro ano de atividades por falta de planejamento adequado. Além disso, é necessário se observar que o retorno financeiro nesses casos ocorre em médio prazo, nunca antes de dois anos.
Mauro Galo também destaca a necessidade fundamental de avaliar com muito cuidado a viabilidade econômica do negócio, além de cuidar do planejamento do projeto. “Se isso não for devidamente observado, o risco será muito maior do que continuar apostando nos fundos de renda fixa, como o DIâ€, orienta o economista.
Financiamento
Quem pretende financiar um carro ou um imóvel, a orientação de Cafeo é para que o valor das prestações não comprometa mais que 30% da renda mensal. Também é importante a segurança no emprego ou poder contar com algum outro tipo de reserva, como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
Utilizar o dinheiro que está aplicado em fundos de renda fixa para pagar uma viagem de férias, por exemplo, só é indicado para o turismo interno (dentro do Brasil). “Em função do dólar estar em alta e pela própria volatilidade do mercado cambial, uma viagem ao exterior é desaconselhada nesse momento. O custo dessa viagem ficaria em torno de 10% a 20% mais caro do que numa situação normal. O turismo interno deve ser priorizadoâ€, afirma Cafeo.
CDB e poupança
De uma maneira geral, fora do mercado financeiro os chamados ativos reais estão entre os mais seguros para quem não quer se arriscar muito. Segundo os três economistas consultados, entre eles estão imóveis, terrenos e obras de arte. Galo também destaca o “investimento pessoalâ€, como em cursos de aperfeiçoamento profissional. Para quem pretende continuar com aplicações financeiras mas quer sair dos fundos de renda fixa, a sugestão dos economistas é o CDB e a Caderneta de Poupança.
De acordo com Cafeo, quem investir em torno de R$ 300 mil (grandes investidores) no CDB terá rendimento líquido em torno de 1,4% ao mês. Para aplicações de R$ 50 mil a R$ 200 mil, o índice será na faixa de 1,3% ao mês. Para investimentos de até R$ 50 mil, o rendimento líquido mensal será em torno de 1%.
Para quem permanece com aplicações nos fundos de renda fixa e DI, Sette e Cafeo dizem que vale a pena manter o investimento. Riscos sempre existem, mas há indicativos de que os rendimentos nessas modalidades podem voltar a crescer em breve. Mudar agora sem um objetivo contundente ou para outra operação de risco, pode significar ainda mais perdas financeiras.