11 de julho de 2026
Esportes

Basquete - Bauru inicia disputa por patrocínio

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 7 min

Depois de sagrar-se campeão brasileiro na última sexta-feira, o Tilibra-Copimax iniciou uma nova disputa: a de conquistar novos patrocinadores em pouco tempo. No dia 30 deste mês acaba o contrato de patrocínio firmado há cinco anos com a Tilibra. O futuro da equipe ainda é incerto.

Depois de comemorar a vitória no final de semana, a diretoria do Bauru Basquete deu folga aos jogadores e comissão técnica até dia 27, quando ocorrerá um reencontro do grupo com os dirigentes, que esperam até lá ter algo de concreto para oferecer.

A Tilibra literalmente anunciou a suspensão do patrocínio à toda população no próprio anúncio de congratulação pelo título, publicado na edição de sábado do Jornal da Cidade. Na segunda-feira, por telefone, o diretor-superintendente da empresa Pedro Henrique Coube ratificou ao JC o anúncio da retirada do patrocínio ao Bauru Basquete, associação que dirige a equipe.

Coube explicou que a decisão estava tomada pela diretoria da Tilibra há um ano, mas atendendo a uma série de apelos do time, da população e até de entidades resolveu prorrogar por mais uma temporada o investimento. Ele cita que também nesta situação encontrava-se a Copimax, marca da Votorantim Companhia de Papéis (VCP).

“A gente entende que isso tem dois lados, a gente sai com o time campeão, sai por cima com um trabalho bonito do time que foi campeão paulista, vice sul-americano e campeão brasileiro nesses cinco anos. E acho que a Associação Bauru Basquete tem condições de arrumar um outro patrocinador com o time assim no auge, bem montado, preparado”, declara o diretor-superintendente da Tilibra.

Ao longo destes cinco anos, Pedro Coube revela que a empresa investiu cerca de R$ 4,5 milhões no basquete profissional e diz que o retorno foi vantajoso até certo ponto.

“O retorno foi mais local e regional. Em épocas de brasileiro nos dava uma exposição em tevê aberta, o que é interessante para toda empresa, talvez a imagem da empresa tenha melhorado muito perante os jovens e a comunidade, mas não vendemos muito mais por isso, não percebemos nenhum reflexo imediato.”

O diretor também não acredita num reflexo local ou regional dessa atitude. Questionado sobre uma possível retomada do patrocínio ao basquete, Pedro Henrique respondeu ser prematuro afirmar algo.

“Se a gente acompanha um pouco de esporte pode perceber que toda modalidade é assim. Os times trocam de patrocinadores e acontece de patrocinadores retornarem. Nesse momento, a decisão é muito recente. Pode ser que no futuro a Tilibra esteja muito bem e retorne ao basquete, mas vai continuar apoiando os atletas amadores como sempre apoiou”, finaliza.

Recomeço

No primeiro dia útil pós-euforia da vitória, o presidente do Bauru Basquete Caio Coube anunciou que começava ali um novo campeonato. Durante a semana, ele teria uma série de reuniões com empresas que ele classifica como investidores potenciais, mas prefere manter os nomes em segredo.

De concreto, Coube aponta que um aumento na cota doada pela Fiat já estava praticamente acertado antes das finais do campeonato, mas espera que o título possa também elevar os valores. â€œÉ um período difícil, temos que encarar a realidade. Mas precisamos vender o time que provou ser o melhor nesse campeonato à um argumento muito favorável”, desabafa.

Já no final da tarde de terça-feira, Caio parecia mais animado apesar de saber da dura realidade e do pouco tempo que tem pela frente. â€œÉ impossível acabar com o sentimento.”

Com esse lema Coube reuniu-se com colaboradores e com a equipe da MR Tempo, agência que acompanha o time há anos, e juntos estão elaborando uma série de estratégias para conquistar não só uma cota master, mas também novos patrocinadores que aliem suas marcas à causa do basquete campeão. “A idéia é envolver muita gente nesse novo processo”, reafirma.

Números

Hoje, o Bauru Basquete tem uma despesa total de R$ 100 mil que era dividida entre Tilibra (R$ 45 mil), Copimax (R$ 30 mil), Fiat (R$ 9 mil), Sphera (R$ 3 mil). Além destes patrocinadores, a prefeitura municipal colaborava com R$ 5 mil destinados às escolinhas e categorias de base e a Sukest que também ajudava na cobertura de despesas com o ginásio. Só de aluguel da Panela de Pressão são R$ 5 mil, mais R$ 2 mil de conta de energia elétrica.

Caio conta que para manter o nível da equipe é preciso no mínimo, 80% deste valor em patrocínio e outras colaborações. Ele revelou que vai renegociar o aluguel com o Noroeste, dono do Ginásio e pedir uma aumento na participação da prefeitura.

Logo após o jogo da vitória, o prefeito Nilson Costa disse ao JC que a prefeitura tem colaborado na medida de suas possibilidades e que havia visitado o presidente da Tilibra Rubem Coube fazendo apelo para que repensasse o caso da equipe. Ontem, Caio e Zezinho Martha se reuniram com o prefeito, que ficou de reavaliar a participação da prefeitura.

Ainda sobre as cotas, Caio anunciou que a VCP-Copimax não havia manifestado oficialmente a retirada do patrocínio.

Assédio

Uma equipe campeã com o melhor jogador da competição e em compasso de espera e contatos para a próxima temporada. Assim serão os próximos dias dos jogadores e do técnico do Tilibra-Copimax que tiveram o “passe” valorizado com a vitória. Estão recebendo propostas de outros clubes, mas torcem para que os dirigentes do time consigam manter a equipe em Bauru.

A permanência do grupo inteiro em Bauru e ainda com reforços é o desejo de Guerrinha, Raul, Vanderlei e dos demais integrantes da equipe que julgam duplamente vitoriosa por ter vencido o campeonato mesmo sabendo das dificuldades que o time enfrentaria durante a temporada.

Considerado, o melhor jogador do Nacional, o ala Vanderlei é o mais assediado da equipe e revela que quatro ou cinco times já entraram em contato e fizeram até boas propostas, mas sua primeira intenção é permanecer em Bauru. Ele gosta da cidade e quer ficar.

â€œÉ uma pena estar acontecendo isso com Bauru e lamento ter visto isso no basquete como um todo”, comenta e faz referência a uma temporada em que jogou em Franca e o Dharma retirou o patrocínio no meio do campeonato. “Pelo menos a Tilibra cumpriu o contrato, como combinado.”

Vanderlei aguarda a decisão da manutenção da equipe para cuidar de sua vida. Ele acha precipitado aceitar qualquer proposta. “O campeonato acabou agora e muita coisa pode mudar. Como sou solteiro, estou num bom momento e ainda tenho uns três anos para jogar basquete tenho uma situação privilegiada. Mas preocupado com a equipe, pois esse time de Bauru é diferente de qualquer outro que já joguei.”

O armador Raul, em Bauru desde 99, já trouxe a família para cá e inclusive montou com a esposa uma loja no centro da cidade. Para ele, as propostas que recebeu são pequenas e afirma não ter mais idade para sair se aventurando.

Ele tem intenção de permanecer na cidade e espera a contrapartida da equipe que o queira e tenha condições para fazê-lo. “Se não aparecer nada que compense muito fora daqui ou Bauru não me queira mais, eu paro de jogar.”

Mesmo assim, o jogador de 39 anos encara o drama do Bauru Basquete como mais um desafio e acredita no trabalho da diretoria. “Eles têm credibilidade e vão conseguir viabilizar a seqüência do grupo que a gente espera que permaneça unido.”

Essa união também é reafirmada pelo técnico Guerrinha, que comanda a equipe há quatro temporadas. Ele ressalta que o time foi campeão dentro e fora da quadra. “O grupo tinha estabilidade financeira e emocional, por isso assumiu essa briga, lutou como leão e venceu. Fomos campeões mesmo com problemas fora de quadra.”

Ele também já foi assediado por outras equipes, mas acredita na diretoria do Bauru Basquete e aguarda a reapresentação da equipe no dia 27 para uma conversa de onde poderão saber dos novos rumos do time ou de cada integrante em especial.

Guerrinha acredita que a diretoria consiguirá viabilizar o time mesmo com vários patrocinadores. “O time mobilizou a sociedade e a própria comunidade pode assumir cotas, empresas podem adotar jogadores.”

O técnico está ciente do prazo curto, mas confia nos diretores e acena até com a possibilidade do time todo ficar e ajudar na campanha. “Não é possível que não continue, ninguém acredita que vá acabar. A gente faz parte da identidade da cidade e a cidade da nossa.”