09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Um momento raro de nacionalismo


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A cada quatro anos temos a oportunidade de verificar um fenômeno tipicamente brasileiro. A nação se veste de verde e amarelo nas ruas, nos muros, nas casas, nas roupas, nos automóveis. Em nenhuma outra época o sentimento de nacionalismo é tão forte em nossa gente, em nenhum outro momento percebemos esse furor verde e amarelo em nossa sociedade.

O futebol invade as praças, os bares, os salões de festas, enfim, toma conta das conversas em todos os cantos do nosso imenso território. Em cada pessoa um provável técnico não-remunerado emite suas opiniões, suas inúmeras divergências, suas poucas convergências em torno de uma seleção de jogadores, muito bem remunerados para a prática do esporte das multidões.

As angústias de uma vida levada às pressas e sem qualidade são esquecidas durante a trajetória da nossa seleção na Copa. Do primeiro ao último jogo a população esquece os desatinos de nossos governantes, o desemprego, a violência e todas as nossas inúmeras mazelas sociais. Está em jogo muito mais que uma Copa do Mundo para os brasileiros, está em jogo nossa pseudo superioridade em relação ao restante do Planeta, pelo menos dentro das quatro linhas que demarcam um campo de futebol. Nas escolas, nas favelas, nas ruas mal iluminadas, em cada canto do País um único grito ecoa de Norte a Sul, é o grito de gol substituindo cada lágrima derramada pela falta de alimento e de uma simples oportunidade nos quatro anos que se passaram desde a última Copa.

Que seria do nosso povo se o futebol não existisse. Teríamos que inventá-lo, ou reinventarmos o nosso povo com nova moldura. Acusado de alienar as multidões e de ser o ópio de uma geração perdida, o futebol tem seu papel importante como esporte dentro de nossa frágil história democrática. É, sem dúvida, a única esperança de milhões de pés descalços que sonham com a fama e com a esperança de dias melhores para seus entes mais próximos.

Em cada esquina um Pelé, um Zico, um Ronaldinho, um futuro craque que sonha com a pátria de chuteiras, visto que não lhes é possível vislumbrar sonho melhor num País em que seus governantes priorizam a propina, a corrupção, o desvio de verbas públicas em detrimento da ética e da seriedade no trato com a coisa pública. Na Copa da vida somos derrotados há séculos por uma elite que não gosta de futebol, de cachaça e de sua própria raça. Então, aproveitemos todos e sejamos brasileiros com orgulho, graças a Deus, até que o juiz apite o fim do jogo. (Rafael Moia Filho)