09 de julho de 2026
Bairros

'Foi uma bagunça', dizem alunos

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Os alunos da escola estadual Ayrton Busch descreveram o incidente de anteontem como “uma bagunça”. Alguns aguardaram as providências necessárias sentados, mas outros correram e gritaram bastante, de acordo com os próprios estudantes.

“A maioria do pessoal corria e gritava. Alguns quebraram as portas para pegar cadernos nas salas”, conta José Adailton da Silva, 18 anos, estudante de 8.ª série.

“Foi a maior zoeira. Os meninos não se comportaram muito bem, não. Rasgaram os cartazes e as bandeiras da escola, bateram e chutaram as portas”, diz Daniel Souza dos Santos, 17 anos, que garante que ficou quieto durante a falta de energia elétrica na escola.

O estudante de 8.ª série Josué Barros de Almeida, 15 anos, disse que aqueles que chutaram as portas tinham a intenção de pegar cadernos e outros materiais das salas de aula. “Estragaram o fichário de uma menina”, diz.

A direção da escola salienta que o contratempo foi provocado por fatores externos à escola e diz que os funcionários não puderam contornar a situação.

Ela acrescenta que fará uma reunião com alunos e pais para discutir o assunto. “Eles deveriam ter paciência. Não é assim a maneira de agir. Quem fez isso agiu incorretamente”, expõe.

PM

O policial militar Raeder Adilson da Silva, coordenador do Programa Jovens Contra o Crime (JCC) na escola Ayrton Busch, diz que acredita ser necessário um treinamento na escola sobre como proceder em casos como falta de energia elétrica.

Ele afirma que os principais problemas apresentados na escola não são originados por aluno, mas por um “público externo”. “Pelo local em que se situa, essa é uma das escolas mais problemáticas da cidade. Se não houvesse o programa estaria bem mais grave. O fato de quarta-feira foi em decorrência do apagão”, afirma.

O policial, no entanto, acredita que os resultados do trabalho de prevenção desenvolvido na escola junto aos alunos virá a médio e longo prazo. “Vamos passar por cima disso e trabalhar para melhorar”, reforça.

Diretoria de Ensino

O caso da escola Ayrton Busch foi o primeiro registro de depredação provocada pelos próprios alunos nas escolas estaduais de Bauru, neste ano. É o que afirma o dirigente regional de Ensino, Jair Sanches Vieira.

“Nunca houve problema de depredação pelos próprios alunos”, destaca Vieira. Ele acrescenta que, na maior parte das vezes, os atos de vandalismo são conseqüência de furtos ou ocorrências semelhantes praticadas em finais de semana, e não em períodos de aula.

Há dois meses, a escola Henrique Bertolucci teve uma porta arrombada. Os infratores supostamente tinham a intenção de chegar a um armário em que estavam guardadas bolas. A Diretoria de Ensino descarta a possibilidade de que o ato tenha sido de autoria dos próprios alunos.

Nas escolas estaduais Rodrigues de Abreu e Walter Barreto Melchert também tiveram registros semelhantes no início de 2002.

Já no ano passado, houve cinco registros de depredação, três de vandalismo e três de furto em escolas estaduais, de acordo coma Diretoria de Ensino. “Registramos como vandalismo os atos de destruição dos bens escolares sem justificativa e os de depredação aqueles que têm uma causa, mas geralmente são provocados por agentes externos”, observa Vieira.