08 de julho de 2026
Rural

Carne exportada terá novo certificado

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

A partir do dia 1º de julho, todos os frigoríficos brasileiros habilitados a exportar carne bovina e bubalina (búfalo) para o Mercado Comum Europeu serão obrigados a ter o certificado de rastreabilidade desses animais. Esse documento é fornecido pelo Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos (SBC).

De acordo com Vangélio Mondelli, proprietário do frigorífico Mondelli, a exigência de comprovação da rastreabilidade ocorrerá em quatro etapas. A partir de dezembro de 2003 a obrigatoriedade do certificado será válida também para os frigoríficos que fazem parte da lista geral (incluindo Hong Kong, Rússia e Israel) da rota de exportação da carne dos animais citados.

Já a partir do ano de 2005, a rastreabilidade deverá ser adotada para todos os animais encontrados em regiões consideradas livres da febre aftosa, com os devidos certificados de vacinação, cuja carne será utilizada para exportação e para distribuição no mercado interno (dentro do Brasil). Por último, a partir de 2007 o certificado será exigido para todos os animais do território nacional.

“RG animal”

“A rastreabilidade funciona como um RG do animal. No caso do boi, com esse certificado é possível acompanhar a vida do bovino desde seu nascimento e saber o que ele comeu durante toda sua vida - até chegar na idade de abate, que é em torno de 2 a 3 anos -, todas as vacinas que tomou, entre outras coisas. A rastreabilidade já é exigida pelos países que fazem parte do Mercado Comum Europeu desde 1997. Quem não se adequar a essa realidade no Brasil, não poderá mais exportar carne bovina e bubalina, “destaca Mondelli. Também na Argentina, Uruguai, Chile e Nova Zelândia a rastreabilidade já é adotada.

Atualmente, o rebanho nacional está em torno de 140 milhões de cabeças de gado. Desse total, de 10% a 12% dos animais têm sua carne destinada ao exterior. O Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo, segundo Mondelli. Os principais mercados alvos da exportação brasileira são a Itália, Alemanha, Holanda, Inglaterra e França.

“Como o volume de exportação dessas carnes aumentou significativamente nos últimos anos, os compradores dos frigoríficos brasileiros no exterior começaram a forçar a implantação da certificação de rastreabilidade. Caso contrário, eles vão começar a se recusar a comprar carne do Brasil”, observa o empresário.

Qualidade

De acordo com Mondelli, a qualidade da carne do rebanho bovino brasileiro é muito boa. Contudo, o sistema de documentação seria frágil. “Sem as certificações, não há como comprovar que o gado foi vacinado ou que o animal sempre teve alimentação correta. Com a exigência da certificação, o principal beneficiado será o consumidor final. Além disso, é uma forma do Brasil se proteger contra a BSE doença da “vaca louca”, que o animal adquire quando come rações feitas a partir de restos de outro animal”, diz Mondelli. Segundo ele, farinha de osso e de sangue, subproduto de frango e dejetos suínos não devem ser utilizados para alimentar o gado.

Existem dois tipos de rastreabilidade: parcial e total. A primeira se refere à compra de um animal adulto. Nesse caso, o pecuarista ou frigorífico deverá solicitar a presença de um veterinário, engenheiro agrônomo ou zootecnista autorizado pelo órgão certificador para examinar o animal e fornecer a documentação. A total é para os casos em que o pecuarista vai vender ao frigorífico um animal que nasceu em sua fazenda e teve acompanhamento adequado desde então, segundo explica Mondelli.

De acordo com ele, o custo da certificação de rastreabilidade para os pecuaristas incluirá R$ 1,00 por animal e uma taxa de um a 1,5 salário mínimo (ainda sem definição) a ser paga ao profissional que expedirá a documentação.

Palestra e curso

Para falar sobre a obrigatoriedade do certificado de rastreabilidade - a partir do dia 1º de julho -, será ministrada uma palestra hoje, às 19h30, no Tatersal do Recinto Mello Moraes, em Bauru. A entrada é gratuita e não é necessário fazer inscrição antecipadamente. O público alvo são veterinários, zootecnistas, agrônomos e pecuaristas da região.

Antes disso, às 14h30, será ministrado um curso sobre o programa de certificação de origem do Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos (SBC). Entre os temas abordados estão o panorama do mercado no mundo; panorama no Brasil; posição do SBC no processo de certificação; perspectivas para 2002 e para os próximos anos e a metodologia de supervisão da fazenda e dos animais.

Os médicos veterinários Luiz Witzler e Cristina Lombardi e o engenheiro agrônomo Sérgio Pimenta serão os palestrantes e também os que dirigirão o curso de hoje à tarde. Ambos os eventos estão sendo promovidos com apoio da Boi Safra Agropecuária Ltda, Verdó Leilões, Matsuda Sementes de Pastagens, Roma Distribuidora de Carnes e Frigorífico Mondelli.

O SBC é um dos órgãos paulistas credenciados pelo Ministério da Agricultura a fornecer o certificado de rastreabilidade. Segundo Vangélio Mondelli, é um organismo independente, não tem ligação com o governo e nem atua em parceria com frigoríficos. Para obter a certificação, o gado pode ser marcado da forma que o pecuarista preferir - a fogo, com brinco ou chip eletrônico.

Mais informações sobre os eventos de hoje podem ser obtidas pelos telefones (14) 6824-3806 e (11) 4195-8582.