O bauruense Julio Nese Meca sempre foi um apaixonado por carros antigos. Tanto que até freqüenta o clube do gênero na cidade e ocupa um cargo na diretoria. Entretanto, ele nutre um carinho todo especial por um automóvel americano: um Dodge Dart 1971, comprado zero quilômetro e que orgulha-se de até hoje estar em sua garagem.
A história de amor de Julio com o automóvel começou quando ele ainda era gerente de um supermercado. Como a firma necessitava de veículos para fazer entregas, a opção acabou sendo pelos da representante da Dodge. “Na época, foi a agência que mais nos ofereceu vantagens. Assim, compramos um caminhão e três caminhonetes 3/4â€, diz ele.
Ali deu-se o pontapé inicial para acender a “chama†da sua paixão pelo carro, que ainda lhe era inacessível financeiramente. Mas ele logo arrumou uma maneira para ter o seu veículo dos sonhos na garagem. Para isso, contou com a ajuda de seu pai e acabou comprando-o em “sociedadeâ€. “Como a data do aniversário do meu pai estava próxima, resolvemos unir meus recursos poupados ao Aero Willys que tínhamos e comprar o Dodgeâ€, conta Julio.
Assim, em oito de março de 1971, dois dias depois do aniversário do pai, o bauruense adquiria o Dodge Dart de oito cilindros. “Ele saiu com a documentação no nome do meu pai e tenho até hoje o manual do proprietário originalâ€, diz ele. E acrescenta: “Optamos pelo Dodge porque era um automóvel que já conhecíamos. Meu avô já teve Chryslers 1941 e 1951, assim como meu pai.â€
Entretanto, Julio confessa que enfrentou certa resistência da concessionária da época, que não queria vender o Dodge na cor pretendida por ele, a vermelha. “O modelo não tinha pronta entrega. Certo dia chegou a carreta com Dodges de várias cores, entre elas a que queríamos. Fui na agência e falaram que não poderia ser meu porque um médico iria comprá-loâ€, lembra. “Tive de apelar questionando que eu era cliente antigo dali.â€
Saudosismo
Para Julio, vale a pena ter um carro antigo até hoje pela nostalgia que ele proporciona. â€œÉ um sentimento que a juventude atual não costuma valorizar. São carros de história e vendo-os lembro da minha época de jovem. É um veículo que me dá satisfação e estou contente, que não sei se meus filhos continuarão com eleâ€, ressalta o bauruense.
Mesmo reconhecendo que o “Dojão†consome demais, Julio garante que não o vende por dinheiro nenhum. “Ele é beberrão de gasolina sim, pois são oito canecos no motor. Mas é um veículo confortável, bom para viagens e que não deve nada para muitos carros modernosâ€, considera ele. “Não tem dinheiro que o tire de mim, só Deus, quando me levar um diaâ€, promete ele.
Segundo Julio, ser dono de um Dodge 1971 hoje é ter a oportunidade de sentir as mesmas sensações de quando o adquiriu. “Muitos me perguntam se eu não enjôo dele. Para esses, costumo responder que é agora que estou começando a gostar deleâ€, finaliza.
Perfil
• Nome Julio Nese Meca
• Idade 70 anos
• Lugar para passear Estados Unidos
• Time do coração Palmeiras
• Quem você colocaria no porta-malas do seu Dodge?
“O Fernando Henrique Cardoso e o Alckmin, que é o rei do pedágio.â€
• E quem você faria questão de levar no seu Dodge?
“Minha família.â€
• O que mais lhe irrita no trânsito bauruense?
“A desorganização e a falta de consciência dos motoristas, principalmente daqueles que insistem em andar na esquerda em velocidades abaixo das permitidas.â€
• Que nota você daria aos motoristas da cidade?
“Não passa de cinco.â€