08 de julho de 2026
Auto Mercado

Circulando - Fidelidade ao Dodge

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

O bauruense Julio Nese Meca sempre foi um apaixonado por carros antigos. Tanto que até freqüenta o clube do gênero na cidade e ocupa um cargo na diretoria. Entretanto, ele nutre um carinho todo especial por um automóvel americano: um Dodge Dart 1971, comprado zero quilômetro e que orgulha-se de até hoje estar em sua garagem.

A história de amor de Julio com o automóvel começou quando ele ainda era gerente de um supermercado. Como a firma necessitava de veículos para fazer entregas, a opção acabou sendo pelos da representante da Dodge. “Na época, foi a agência que mais nos ofereceu vantagens. Assim, compramos um caminhão e três caminhonetes 3/4”, diz ele.

Ali deu-se o pontapé inicial para acender a “chama” da sua paixão pelo carro, que ainda lhe era inacessível financeiramente. Mas ele logo arrumou uma maneira para ter o seu veículo dos sonhos na garagem. Para isso, contou com a ajuda de seu pai e acabou comprando-o em “sociedade”. “Como a data do aniversário do meu pai estava próxima, resolvemos unir meus recursos poupados ao Aero Willys que tínhamos e comprar o Dodge”, conta Julio.

Assim, em oito de março de 1971, dois dias depois do aniversário do pai, o bauruense adquiria o Dodge Dart de oito cilindros. “Ele saiu com a documentação no nome do meu pai e tenho até hoje o manual do proprietário original”, diz ele. E acrescenta: “Optamos pelo Dodge porque era um automóvel que já conhecíamos. Meu avô já teve Chryslers 1941 e 1951, assim como meu pai.”

Entretanto, Julio confessa que enfrentou certa resistência da concessionária da época, que não queria vender o Dodge na cor pretendida por ele, a vermelha. “O modelo não tinha pronta entrega. Certo dia chegou a carreta com Dodges de várias cores, entre elas a que queríamos. Fui na agência e falaram que não poderia ser meu porque um médico iria comprá-lo”, lembra. “Tive de apelar questionando que eu era cliente antigo dali.”

Saudosismo

Para Julio, vale a pena ter um carro antigo até hoje pela nostalgia que ele proporciona. â€œÉ um sentimento que a juventude atual não costuma valorizar. São carros de história e vendo-os lembro da minha época de jovem. É um veículo que me dá satisfação e estou contente, que não sei se meus filhos continuarão com ele”, ressalta o bauruense.

Mesmo reconhecendo que o “Dojão” consome demais, Julio garante que não o vende por dinheiro nenhum. “Ele é beberrão de gasolina sim, pois são oito canecos no motor. Mas é um veículo confortável, bom para viagens e que não deve nada para muitos carros modernos”, considera ele. “Não tem dinheiro que o tire de mim, só Deus, quando me levar um dia”, promete ele.

Segundo Julio, ser dono de um Dodge 1971 hoje é ter a oportunidade de sentir as mesmas sensações de quando o adquiriu. “Muitos me perguntam se eu não enjôo dele. Para esses, costumo responder que é agora que estou começando a gostar dele”, finaliza.

Perfil

• Nome Julio Nese Meca

• Idade 70 anos

• Lugar para passear Estados Unidos

• Time do coração Palmeiras

• Quem você colocaria no porta-malas do seu Dodge?

“O Fernando Henrique Cardoso e o Alckmin, que é o rei do pedágio.”

• E quem você faria questão de levar no seu Dodge?

“Minha família.”

• O que mais lhe irrita no trânsito bauruense?

“A desorganização e a falta de consciência dos motoristas, principalmente daqueles que insistem em andar na esquerda em velocidades abaixo das permitidas.”

• Que nota você daria aos motoristas da cidade?

“Não passa de cinco.”