08 de julho de 2026
Auto Mercado

O curioso mundo do Sampabike

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Um encontro de motociclistas para motociclistas. Talvez essa seja a melhor definição para o Sampabike, evento realizado pela segunda vez em São Paulo, de 12 a 17 deste mês, no Expomart.

Para os admiradores de motocicletas, o Sampabike possui atrações para ninguém colocar defeito, como os shows de bandas e os bares, além das várias barracas de vendas de equipamentos e acessórios. Mas as maiores sensações do evento eram os motoclubes, que tinham estandes exclusivos à disposição, e suas motos, das mais variadas marcas, estilos e procedências. A maioria absoluta era do Estado de São Paulo.

O que não faltou durante os cinco dias do Sampabike foram motocicletas exóticas. Nesse quesito, os Abutres, conhecidos nacionalmente como o maior motoclube do País, ganharam disparados. Por onde se andava, era possível avistar seus triciclos enfeitados com caveiras, crucifixos, caixões, cabeças de gado e uma infinidade de acessórios.

Além disso, uma moto-churrasqueira e as apresentações de um motociclista superando obstáculos também chamavam a atenção dos visitantes. Os que foram ao Sampabike também puderam conferir de perto as belas motos que compareceram ao evento, como várias Ninjas, Suzukis e Hondas, com destaque para uma Gold Wing 1600.

Fábio Andreoti, que foi ao evento com seus pais, esposa e filho a tiracolo, é integrante do motoclube Sem Preconceito. Para ele, o mais interessante em estar presente no Sampabike é a oportunidade de confraternizar-se com outros motociclistas. Ele ressaltou, ainda, que o gosto por motos vem do sangue. “Elas existem para nos divertirmos, e não para nos matarmos”, frisa ele.

O advogado criminalista Antonio Godoi Maruca, presidente do Motociclistas de Cristo, de Atibaia (SP), participou pela primeira vez do Sampabike. Para isso comprou, pela bagatela de R$ 34 mil, um triciclo da marca By Cristo. Apesar disso, ele enfatizou que o motoclube, de origem gospel, não compareceu ao evento apenas para passear. “Levamos mensagens positivas de Jesus para todos, além de viajarmos e fazermos orações”, salientou.

Infra-estrutura deficiente

Apesar de se auto-intitular o maior encontro de motociclistas da América Latina, a segunda edição do Sampabike mostrou que o evento está longe de oferecer a melhor infra-estrutura para seus participantes.

Quem sofreu com a desorganização do evento foi um motociclista bauruense, que preferiu não se identificar. Após ter se deslocado mais de 300 quilômetros com sua moto até São Paulo para participar pela segunda vez do Sampabike, ele surpreendeu-se com os locais destinados para camping e com a falta de opções de alimentação. “Foi decepcionante”, resume ele.

O bauruense, que pretendia acampar no evento, acabou sendo forçado a mudar de idéia. “Me preparei especialmente para o Sampabike e levei várias bagagens na moto. Entretanto, se soubesse que teria de ficar em um hotel, não teria levado nem metade das malas”, frisa o motociclista.

Ele justifica sua atitude afirmando que os lugares reservados pela organização do Sampabike 2 para acampamento não ofereciam mínimas condições para tal. “Era um barracão pequeno e com banheiros sujos. Além disso, era longe do evento e não tinha segurança nenhuma”, ressalta.

Ele acrescenta, ainda, que também teve de alimentar-se fora do Sampabike. “Havia apenas alguns botecos. Por isso, tive de sair para almoçar e jantar na cidade. No final das contas, acabei gastando gasolina para viajar até a capital e comer fora. Ora, se fosse para fazer isso não precisava ter saído de casa”, esbraveja o motociclista.

Com isso, continua ele, o público acabou não comparecendo em massa ao Sampabike 2. “Se eles tivessem mantido a infra-estrutura oferecida no evento do ano passado, já estaria bom e, assim, certamente o público presente seria muito maior”, finaliza ele.