09 de julho de 2026
Geral

Projeto inspira retorno ao passado

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Voltar ao passado à bordo da ‘antiga’ Maria Fumaça. Essa possibilidade começa a ter contornos mais reais com o projeto “Ferrovia Para Todos”, idealizado pela Secretaria Municipal de Cultura. Serão dois quilômetros de percurso por uma trilha cuja paisagem não é nada inspiradora. Mas para quem quer matar saudade ou apenas conhecer o meio de transporte que trouxe desenvolvimento à região e que hoje está quase extinto, o passeio pode valer a pena.

A idéia da secretaria é resgatar a história da ferrovia na cidade e colocar em funcionamento o trecho férreo que vai do centro de Bauru a Curuçá, na vila Dutra. O trajeto não apresenta belezas naturais, sendo dominado basicamente por paisagens urbanas e pelo mato.

De acordo com o secretário municipal de Cultura, Sérgio Ricardo Losnak, a iniciativa tem caráter puramente educativo. “Hoje, poucos conhecem essa história e é uma boa oportunidade para levar à população bauruense o resgate de suas raízes”, observou o secretário.

De início, serão restaurados a locomotiva 278 (Maria Fumaça) e o carro de passageiros. Numa segunda fase, outros seis carros também serão reformados: um de restaurante, um para bagagens e quatro que servirão como dormitórios.

A recuperação começou em abril com a troca da tubulação da locomotiva, localizada na parte interna da caldeira. Ela foi substituída por uma nova. A parte mecânica, como válvulas de segurança, injetor de água, visor, engates, rodantes, mancais e rolamentos, também estão em fase de restauração. Na última etapa, começará a recuperação dos freios, que depende do perfeito funcionamento do gerador de vapor.

A recuperação da locomotiva está a cargo da empresa bauruense A.B. Ranazzi, vencedora do processo de licitação. O proprietário da empresa, Antônio Brás Ranazzi, informou que uma das grandes preocupações é manter o aspecto original da máquina.

De acordo com Losnak, a recuperação da Maria Fumaça está orçada em R$ 39 mil e o carro de passageiros S-22 deve custar aos cofres municipais cerca de R$ 10 mil.

A previsão é de que a locomotiva esteja pronta até o fim de agosto próximo. No entanto, Losnak lembrou que o serviço pode atrasar. Segundo ele, as peças precisam ser refeitas e muitas delas não existem mais.

O carro S-22, feito basicamente em madeira, deve estar pronto até o fim do ano. Ele já foi desmontado, descupinizado e as madeiras serão substituídas por marceneiros da prefeitura.

A restauração dos carros de dormitórios, restaurante e bagagem irá depender de parcerias com a iniciativa privada. Losnak disse que algumas negociações estão em andamento, mas não quis revelar o nome das empresas. Pessoas ligadas ao projeto adiantaram ao JC que uma das empresas interessadas seria a Unimed. Outro que teria aprovado o projeto é o empresário Claúdio Amantini. Por ter explorado, no passado, o carro restaurante, ele estaria interessado em ajudar na recuperação do mesmo.

Quanto à estação de Curuçá, abandonada e depredada, não há planos de restauração, segundo informou Losnak.

A locomotiva 278 foi construída pela empresa americana Baldwin Locomotives Works, em 1919. No ano seguinte, foi adquirida pela empresa ferroviária Noroeste do Brasil para transporte de passageiros.

Serviço

Para mais informações sobre parcerias e doações, os interessados devem entrar em contato com a Secretaria Municipal de Cultura pelo telefone (14) 235-1092 ou 235-1072.