08 de julho de 2026
Saúde

Agentes comunitários foram o embrião

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

A primeira iniciativa do governo federal no sentido de mudar a forma de atendimento à saúde foi a implantação do Programa de Agentes Comunitários da Saúde (Pacs), em 1991. A Secretaria Municipal de Saúde de Bauru (SMS) adotou a idéia há dois anos, quando contratou 26 agentes para os bairros Jardim Godoy e Parque Jaraguá.

De acordo com a coordenadora do Pacs na cidade, enfermeira Maria Cecília Lopes Sgavioli, quase 5 mil famílias estão cadastradas atualmente, totalizando mais de 19 mil pessoas atendidas.

“Cada agente é responsável por 200 a 220 famílias, que ele visita mensalmente. O trabalho dele é ir de casa em casa buscar todas as informações sobre a situação de saúde daquela população. Depois, ele coloca o que observou num relatório e, a partir disso, a SMS toma as providências”, explica.

A enfermeira conta que, muitas vezes, o problema está na infra-estrutura do bairro. Nestes casos, as deficiências são apresentadas a outros órgãos municipais, responsáveis pelas benfeitorias.

“Houve lugares, por exemplo, em que não havia coleta de lixo. Questionamos e a Emdurb (Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru) informou que os buracos não permitiam o acesso do caminhão. Solicitamos reparo na rua e os dois problemas foram sanados”, comenta.

O mesmo acontece com diversos outros segmentos, como abastecimento de água, sistema de esgoto, fornecimento de energia elétrica, acesso a transporte coletivo. “Os agentes vão buscar as dificuldades da população e nós vamos aparando, na medida do possível”, completa a secretária municipal de Saúde, Sônia Fiocchi.

Atuação diversificada

Além das atribuições determinadas pelo Ministério da Saúde, os agentes comunitários atuam nos mais diversos setores da vida familiar. A afirmação é do enfermeiro Paulo Roberto Abiuzzi, responsável pelo núcleo de saúde do Jardim Godoy.

Ele conta, por exemplo, que os agentes criaram um curso de pintura e artesanato para solucionar os problemas de depressão que acometia os idosos. “A turma ficava em casa triste, uma voluntária veio dar aulas de pintura em tecido e tela. A iniciativa agradou tanto, que tivemos que arrumar outro lugar para as aulas”, comemora.

Segundo Abiuzzi, o que começou como um grupo de terceira idade hoje atrai até crianças. E as atividades também aumentaram, tendo sido incluídas as aulas de crochê, tricô e tapeçaria.

Outra necessidade identificada pelos agentes do bairro foi a implantação de exercícios físicos. “De tempos em tempos a gente promove uma caminhada, um baile. Ou então a professora da escola do bairro vem desenvolver uma atividade com eles”, comenta.

O grupo desenvolve peças de teatro para estimular os cuidados com higiene, faz palestras nas escolas, veste-se de Zé Gotinha e palhaços para divertir os pequenos em dias de vacinação. Descobre crianças fora da escola e providencia a matrícula, e ainda resolve problemas de infestação de ratos em casa de usuários.

Abiuzzi ressalta que não há limites para a atuação dos agentes. “Porque saúde tem que ser uma visão profunda, envolvendo a parte física, mental, social e ambiental da vida das famílias. O agente tem que harmonizar tudo isso. Então, você corta cabelo, se precisar, e organiza festa de aniversário em domicílio, se o doente estiver acamado”, conclui.

Sorri vai intermediar programa em Bauru

A implantação do Programa de Saúde da Família (PSF) em Bauru será intermediada pela Sociedade para Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (Sorri). A prefeitura terceirizou o serviço como forma de não sobrecarregar a folha de pagamento, em cumprimento à Lei de Responsabilidade Fiscal.

A administradora-geral da Sorri, Maria Elisabete Nardi, informa que o processo para a contratação de 32 agentes comunitários já começou. Os candidatos farão uma prova escrita e os aprovados passarão por uma entrevista. Do total, seis agentes vão compor a equipe do PSF e os demais darão continuidade ao Programa de Agentes Comunitários de Saúde (Pacs) no Jardim Godoy e Parque Jaraguá.

O passo seguinte será a seleção de um médico, um enfermeiro e dois auxiliares de enfermagem para compor a equipe do PSF. “Assim que os profissionais estiverem contratados, a Secretaria Municipal de Saúde providenciará um curso de capacitação e o projeto começará a funcionar. A previsão é para agosto”, explica Nardi.

Ela ressalta que o interesse da Sorri no PSF é que a proposta da prefeitura coincide com os projetos comunitários que a entidade desenvolve desde 1976. “Assim como trabalhamos reintegração, trabalhamos junto à sociedade para prevenir a deficiência”, destaca.

A implantação do PSF em Bauru vai custar cerca de R$ 295 mil aos cofres municipais por ano, com uma subvenção federal de R$ 85 mil anuais. O custo total do programa é estimado em R$ 380,4 mil por ano.

“O contrato com a Sorri foi feito por tempo indeterminado. Nos últimos dois anos, o Pacs era intermediado pela Fundação Véritas, mas o contrato acabou e estamos assumindo. Determinamos essa cláusula para evitar esse começar de novo”, observa Nardi.