08 de julho de 2026
Saúde

Médico em casa

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A Secretaria Municipal de Saúde de Bauru (SMS) vai implantar, nos próximos meses, o Programa Saúde da Família (PSF). Trata-se de um conceito diferente de atendimento, em que os profissionais e agentes de saúde vão investigar e acompanhar as condições de vida de seus pacientes casa a casa.

O programa é federal e foi lançado pelo Ministério da Saúde em janeiro de 1994. Em todo o Brasil, o PSF atende, atualmente, 50 milhões de pessoas (quase 30% da população nacional). Em Bauru, os trabalhos começam nos bairros Pousada da Esperança 1 e 2, numa população estimada em 2.115 habitantes - 1.008 domicílios (dados do Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE).

“O modelo tradicional de atendimento de saúde é aquele em que o paciente vai ao núcleo à procura do médico para tratar uma doença. O Programa Saúde da Família leva os profissionais à casa das pessoas e investe não só na medicina curativa, mas na promoção (e manutenção) da saúde”, defende a titular da SMS, Sônia Fiocchi.

Para ela, o papel do PSF é corrigir uma lacuna no atendimento. Uma equipe multiprofissional passa a trabalhar com o paciente em seu próprio ambiente de vida. Isso permite uma identificação mais precisa de todos os fatores que podem influenciar na manutenção da saúde ou colocá-la em risco.

O trabalho, portanto, é baseado no conceito de saúde integral, que considera todos os aspectos da vida familiar como quesitos determinantes da qualidade de vida. A vigilância regular permite identificar possíveis desequilíbrios e corrigi-los.

“Hoje, o serviço de saúde está centrado na pessoa do médico, como se ele fosse detentor de todas as soluções. No entanto, em saúde pública, o propósito maior é valorizar o trabalho multidisciplinar e estreitar o relacionamento com o usuário, de modo a aumentar o poder de resolutividade do serviço”, destaca a secretária.

Perspectivas

De acordo com Sônia Fiocchi, a proposta da Prefeitura Municipal de Bauru é contratar uma nova equipe de saúde da família a cada ano, mantendo a(s) equipe(s) anterior(es). Desta forma, pretende-se estender o serviço público de saúde para bairros desprovidos de unidades básicas.

“A primeira equipe vai atender moradores das Pousadas da Esperança 1 e 2. Hoje, essa população utiliza o núcleo de saúde da Vila São Paulo, que é uma área extremamente populosa”, explica. A implantação de uma unidade de saúde da família nestes bairros vai aliviar o movimento no posto de saúde e vai dinamizar o atendimento para as famílias “adotadas”.

“A região que engloba o Parque Jaraguá, Santa Edwirges e os núcleos 9 de Julho e Fortunato Rocha Lima também é uma área muito populosa. Com certeza lá também vai caber mais uma equipe. Vamos implantar a primeira e estamos fazendo esse processo de identificação de outras áreas com grande contingente”, ressalta.

Fiocchi destaca que Bauru implantou, há dois anos, o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (Pacs) no Jardim Godoy e Parque Jaraguá. O Pacs foi criado pelo Ministério da Saúde como uma etapa de transição para a implantação da saúde da família e serviu como referência para a vinda do PSF para a cidade.

Indagada sobre a possibilidade de completar os grupos de agentes nestes bairros e elevá-los à condição de equipe de saúde da família, a secretária municipal explica que, inicialmente, esta não é a intenção.

“No momento, entendemos que é mais interessante para o município permanecer com o que temos e expandir o serviço de saúde pública com o PSF para esses locais onde há um contingente populacional muito grande”, afirma. Assim, ao invés de construir um núcleo de saúde nestes bairros, a SMS deverá implantar as unidades de saúde da família.

Na opinião de Fiocchi, por ser um município grande, a tendência é que os dois modelos de atendimento coexistam na cidade. “Precisamos do atendimento curativo feito nos núcleos e dessa promoção de saúde do PSF. A médio prazo, tanto pode haver uma transição, como a cidade pode se completar com os dois tipos de serviço”, encerra.