Cortada por dois rios e mais de uma dezena de córregos, Bauru está cercada de esgoto por todos os lados. Apenas o ribeirão das Flores, córrego canalizado sob a avenida Nações Unidas, está livre da contaminação por lixo e dejetos eliminados pelos moradores da cidade. A conseqüência pouca gente percebe no dia-a-dia, mas ela se materializa em forma de enchentes, poluição ambiental e doenças na população ribeirinha.
Somente o rio Bauru, que passa bem na região central da cidade, recebe diariamente cerca de 1,2 mil litros de esgoto por segundo.
Essa água contaminada atravessa Bauru e vai desaguar no rio Tietê, passando pela zona rural de Pederneiras. “Nenhum proprietário rural daquela cidade pode usar a água do rio Bauru para o gado ou para as plantaçõesâ€, salienta Rodrigo Agostinho, secretário-executivo do Instituto Ambiental Vidágua, uma organização não-governamental (ONG) que visa a preservação do meio ambiente.
O rio Batalha, responsável pelo abastecimento de água da cidade, também não ficou livre do problema. Quando atinge a zona urbana de Bauru, alguns quilômetros depois da estação de captação de água, o ribeirão começa a receber esgoto de diversos bairros. São cerca de 100 litros de esgoto por segundo caindo no rio, sem nenhum tratamento.
A poluição dos rios começou junto com o desenvolvimento da cidade, há mais de 100 anos, de acordo com a ONG. Sem ter para onde escoar o lixo e o esgoto, a população passou a despejá-los no rio Bauru. Com o tempo, a prática foi se estendendo para os afluentes do ribeirão.
Hoje, a coleta de esgoto da cidade chega a atingir 98% das residências e estabelecimentos comerciais. No entanto, o saneamento acaba nos rios e afluentes que passam por Bauru. “A maior parte do líquido do rio Bauru é esgoto, não é águaâ€, destaca Agostinho.
Além dos dejetos que chegam encanados aos rios, existe a contaminação por lixo de pequeno e grande porte.
Tratamento
A Prefeitura Municipal de Bauru se comprometeu, junto ao Ministério Público (MP), a construir uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) no prazo de quatro anos.
Dois anos já se passaram e, por enquanto, o projeto está apenas no papel.
De acordo com o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Luiz Augusto de Oliveira Castro, não existe verba para realizar a obra, avaliada em R$ 57 milhões. “Nós estamos tentando recursos junto ao Governo Federalâ€, explica.
Ele destaca que o volume de documentação necessária para requisitar verbas é muito grande e que o DAE já estaria reunindo tudo o que foi solicitado pela União.
Castro salienta que a autarquia dispõe de uma verba de R$ 1,3 milhão para dar início à implantação de interceptores (equipamentos que impedem que o esgoto canalizado caia nos rios). No entanto, o dinheiro dá apenas para o começo. â€œÉ só 5% do total que necessitamos para fazer os interceptores. Só dá para um começo muito tímido do processoâ€, explica o presidente do DAE.
Caso não consiga concluir a obra até junho de 2004, a prefeitura terá de arcar com uma multa diária de 1.000 Ufesp, o que eqüivale atualmente a R$ 10,5 mil.