Considerada a pregadora mais jovem do Brasil, a carioca Ana Carolina Dias, de 8 anos de idade, esteve ontem em Bauru, na Igreja Cristã Renovada, para ministrar um culto. Mesmo com tanta responsabilidade, ela diz que se acha uma criança igual às outras da sua idade.
A menina tem atraído muitos fiéis em suas apresentações pelo Brasil porque possui, segundo a igreja à qual pertence, o dom da cura e o da libertação de almas. Atualmente, Ana atende, na sua cidade natal, pessoas que procuram a cura de doenças e resolução de vários problemas. Ela também faz o mesmo trabalho - que se resume a uma série de orações - por telefone, para pessoas de outros Estados.
“O que a gente enfantiza bastante, do início ao fim do culto, é que isso é um dom, uma graça de Deus sobre a vida dela. Só que ela é verme, pó, cinza, como outra pessoa qualquer. Mas que Deus, por sua misericórdia, deu esse dom a elaâ€, diz Ezequiel Dias, pastor da Assembléia de Deus de São João do Mereti, Ministério de Madureira, no Rio de Janeiro, e pai de Ana Carolina.
Assim que chegou a Bauru, ainda no aeroporto, ela concedeu uma entrevista ao Jornal da Cidade, na qual demonstrou desinibição e uma capacidade de comunicação impressionantes. A seguir, os melhores trechos.
Jornal da Cidade - Quando você descobriu que tinha o dom de pregar?
Ana Carolina Dias - Quando tinha 2 anos de idade fui acometida de uma doença, a estomatite, e fui ressuscitada pelo Senhor Jesus. Eu estava quase morta e o meu pai estava desesperado. A doutora tinha dado dez dias de vida para mim. Comigo no colo, meu pai disse: “Senhor, Tu não disse que havia curado minha filha?â€. E ouviu uma voz dizendo: “Filho, ela não é tua, é minhaâ€. E meu pai reconheceu que estava errado. Ele me pegou no colo, me apresentou a Deus e falou: “Senhor, se quiser levar, leva, mas se quiser deixar, deixe-a curadaâ€. Naquele momento, “morriâ€. Quando amanheceu, acordei pedindo comida para o meu pai. Nessa época o meu pai era pastor e eu me desenvolvi entre as crianças. Foi aí que começou o meu ministério.
JC - Como é o seu dia-a-dia?
Ana Carolina - Estou na terceira série na Escola Municipal “Castro Alves†e estudo normalmente de segunda à sexta-feira. Não “trabalho†durante a semana para não atrapalhar a escola. Nos fins de semana vou às igrejas que me convidam para fazer palestras e orar.
JC - Qual o seu objetivo ao visitar as igrejas?
Ana Carolina - Meu objetivo é salvar almas para Jesus.
JC - Desde quando você tem essa rotina?
Ana Carolina - Desde os 2 anos de idade. Eu canto, prego, oro, testemunho, faço tudo. Não tenho problemas em lidar com o público, já fui em vários lugares sem ser dentro da igreja, em praças públicas, para falar do envangelho.
JC - E os seus CDs?
Ana Carolina - Já gravei dois CDs. Primeiro fiz uma fitinha. Com 4 anos fiz o primeiro CD, com 7, gravei o segundo e agora estou fazendo o terceiro. O lançamento vai ser no programa do Gugu.
JC - Muitas pessoas vão até você atrás da cura de alguma doença?
Ana Carolina - Agora estou atendendo na nossa igreja, no Rio. Muitas pessoas chegam perto, perguntam, pedem para eu orar por elas. Mas eu não oro naquele momento, eu as chamo para um lugar adequado para fazer a oração.
JC - E como elas reagem com o fato de você ser tão jovem e ter uma capacidade de comunicação tão grande?
Ana Carolina - Muitas pessoas me vêem como se eu fosse meio anormal. Já fomos a muitas igrejas e fomos humilhados. Uma vez, em Fortaleza, eu fui dar uma palestra e a esposa do pastor de lá, que era psicóloga, disse que eu era uma criança anormal, que não brincava, que não fazia nada. Já sofremos muito com isso. Mas o que a gente tenta passar para as pessoas é que isso não é uma coisa de dentro de nós, que nós queremos, é a obra de Deus na nossa vida.