08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

CPFL E CONSUMIDORES


| Tempo de leitura: 2 min

A Tribuna do Leitor é o cobertor que nos aquece no frio e nos areja no calor.

É o receptáculo de nossas lamúrias contra as incongruências do poder constituído. Sem ela seria difícil extravasar os recalques para poder enfrentar o dia-a-dia. E que dia-a-dia! Parece que estamos numa selva, onde os animais de espécies diferentes se digladiam para usufruir o quinhão de alguma caça. As migalhas são partilhadas amigavelmente se os famigerados forem do mesmo clã. São vários os despautérios que às vezes imaginamos serem irreais. A CPFL, por exemplo, como bem articulou Ivan Garcia Goffi (12/6), está cometendo os maiores desmandos. Ela é fornecedora de energia elétrica e tem o ferrolho às mãos para interromper o consumo, doa a quem doer, custe o que custar, danifique-se o que tiver que ser danificado, e os incomodados que procurem seus direitos(?). Adicione-se a esta megalomania da concessionária o fato de que quando interrompida a energia, tem o custo da religação, que não é barato. E, se não houver religação de imediato, quando esta tiver que ser refeita, decorridos alguns meses, a CPFL cobra uma taxa mensal de manutenção do medidor, quando deveria, cortada a luz, ser retirado imediatamente o relógio; mas não, a CPFL não é só fornecedora de energia elétrica, ela também pratica o leasing do equipamento mantido na casa do consumidor, mas é um leasing moderno, diferente do estabelecido em lei, pois o contribuinte nunca fica dono do objeto. Sem contar que as contas de inquilinos, apresentadas em nome destes, são cobradas do proprietário, que nunca utilizou a energia consumida, quando as contas deveriam ser cobradas do verdadeiro consumidor. É mais um esdrúxulo procedimento que o nosso amigo, dr. Ivan, pode acrescentar aos seus alfarrábios. Um dia talvez (quem sabe?) poderemos usufruir as benesses da civilização igualitária; mas, até lá é preciso que o Jornal da Cidade continue aceitando nossas lamúrias neste espaço da Tribuna, e nós continuemos com nosso panelaço jornalístico, às vezes surdo para ouvidos moucos, mas que às vezes tem tom tão estridente e agudo que é possível de ser ouvido por quem tenha ouvidos. (Itamir Crivelli - OAB 20.911)