O tratamento de esgoto em Jundiaí é produto de uma licitação com concessão onerosa. A empresa vencedora da disputa tem autorização para realizar o tratamento e manter a estação por 20 anos. Para vencer a licitação, a Companhia de Saneamento ofereceu o menor preço de tarifa entre as concorrentes. Ao final da concessão, a estação com as lagoas aeradas e o laboratório vão ser incorporados ao patrimônio do Município.
Luiz Pannuti argumenta que a concessão é a forma mais rápida para viabilizar o projeto. “Os municípios têm dificuldades em investimento desse porte. Nós participamos da licitação, vencemos, arrumamos o financiamento, investimentos, estamos realizando o tratamento e o município tem um meio ambiente mais limpo de forma mais rápida. Temos, em quatro anos do processo, a grata surpresa do ressurgimento de peixes da região no rio situado próximo da estaçãoâ€, comenta.
A ETE foi inaugurada em 23 de setembro de 98, na primeira gestão do prefeito reeleito, Miguel Haddad. Ela faz parte do processo de recuperação do rio Jundiaí, que compõe a menor e mais poluída bacia do Estado. “Mas nós estamos tranqüilos com abastecimento de água porque conseguimos uma reserva em uma grande lagoa com 25 bilhões de litros que são bombeados do rio Atibaia. Essa comodidade nenhum outro município conta hoje na áreaâ€, cita o prefeito Haddad.
A ETE está em uma área de 550 mil metros quadrados, sendo a maior do interior do Estado. A coleta de esgoto levada para a estação atinge 92% da área urbana. A estação trata o esgoto gerando uma água com pureza de 95% ao final do processo. A ETE retira 42 mil toneladas de lodo do esgoto por ano.
A ETE está a sete quilômetros da cidade. Contudo, somente em emissários foram instalados 40 quilômetros de tubos nas margens dos rios Jundiaí e Guapeva e córregos afluentes. A eficiência de remoção da carga poluente é de 92%.
Quanto ao processo local, o DAE de Bauru informa que faltam 53 quilômetros de interceptores para a conclusão do mesmo processo por aqui. O investimento previsto é de pelo menos R$ 23 milhões. A ETE daqui é orçada em cerca de R$ 35 milhões. A estação está prevista para ocupar uma área de 125 mil metros quadrados e o sistema de tratamento aponta para reatores anaeróbicos associados com outros processos como decantação.
A autarquia tem dois anos e meio para colocar o tratamento em início de operação. A presidência está estudando a possibilidade de obtenção de recursos para financiar o custeio. Contudo, as cifras correspondem a mais que o orçamento anual da autarquia, estimado em R$ 31 milhões para este ano. Uma saída seria a transferência da construção da ETE para a iniciativa privada, processo que encontra resistência entre alguns vereadores e segmentos sociais.