Antonio Pedroso Jr., em sua carta nesta Tribuna, recentemente, conta um pouco da história da Guerrilha do Araguaia. Como não estivemos lá, logicamente não sabemos da realidade. Majô também contou a sua. Viajando de Belo Horizonte para Brasília, por coincidência, ao meu lado viajava um ex-militar que participou daquela chacina e contou a sua história. Segundo ele, alguns terroristas foram à Nicaragua para se instruírem com a intenção de tomarem os estados do Amazonas e do Pará, através de um exército clandestino, objetivando formar nesses dois estados um país comunista.
Iludiram os jovens idealistas, como diz Pedroso, e os levaram para a selva do Araguaia para instruí-los. Porém, aqueles de famílias importantes, ao se verem nas selvas e se arrependerem, choravam e, para que não influíssem nos demais, os terroristas levavam-nos para o mato e os matavam.
Um casal de jovens do Rio de Janeiro, ela, ao ficar grávida e se ver sem qualquer assistência, entendendo que se falassem em voltar seriam mortos, resolveu fugir pelas selvas e com muita sorte conseguiram chegar a um campo de aviação através das rotas dos aviões. Lá, investigados, contaram essa história e o Exército convocou 1.000 militares e para lá se dirigiram fazendo cerco na área mencionada.
De vez enquanto, ouviam uma rajada de metralhadora e, ao ser o coronel comandante e o primo do que me contava atingidos, irritou os demais e resolveram atirar rumo àquele local, terminando com a morte de todos, salvando-se apenas uma jovem do Rio de Janeiro e um jovem paulista (cujo nome reservo-me a não citá-lo).
Pedroso contou a sua história e o ex-militar contou a dele e você, respeitável leitor, tire sua própria conclusão. (Carlos Sandrin)