A democracia brasileira, conquistada sob tortura de muitos, sumiço e morte de outros tantos, está sendo ameaçada por bandidos que minam a nossa fé em dias melhores. Será que valeu a pena? Eles hoje se consideram ou estão de fato poderosos e imbatíveis. E isso, como vemos, ficou muito perigoso.
Admitamos que o Brasil, esse imenso território calmo e pacífico - se transmuta em clone da Colômbia dos cartéis (ou quartéis) inatingíveis, tão violentos que situam os mafiosos no patamar de honrados e bem vestidos chefes de “famíliaâ€. E a “família†daqui, carniceira e truculenta, domina o cenário, no espelho deixado pelos poderosos chefões internacionais.
No rastro da pseudo fama, da imposição pela força e maldade, o diabo emerge do inferno. E materializa-se no espírito dos marginais que controlam morros e favelas, financiados pelo comércio de drogas movimentado pelas pessoas “de bemâ€, que afastam o tédio e vibram de alegria e êxtase às custas de uma sociedade assustada.
Pois são modernos esses tempos de crise, de manipulação do capital para definir o jogo do poder. Quem vai ao podium: Lula, Serra, Ciro ou Garotinho?
Depende do que determinar a Corporação, o propalado sistema, palavra-chumbo, egressa dos anos 70. Os executivos do esporte, vide automobilismo e até do futebol, estão dando cartas. No jogo do Brasil a condição, como tudo, está no mercado. As cartas são do FMI S/A, que comanda tudo, degluti o melhor e regurgita o gosto amargo da pólvora dos marginais, que exploram a inveja pelos que “têm†e insuflam vingança às suas comunidades.
Tem locais em que um grande contingente admira traficantes, considerando-os quase como heróis de suas vontades, recalques e causas perdidas. Como veladamente não aplaudir o massacre a seus “algozes†do cotidiano?!
Não tem mais contemporização. O prefeito da capital do Rio de Janeiro prega o correto (“...a gente precisa é de polícia bem armada e, se morrerem dois delinquentes, que morram cem...â€), num estratégico e horroroso ano onde políticos temem assumir o radical à mesma altura dos carniceiros, para não arriscar a perda dos votos que pertencem à grande maioria. E os bandidos sabem disso. O jeito é orar, para que Deus não abandone a sua terra Brasil, num ano de eleição. (A autora, Vera Lúcia Andrade, é jornalista)