Cerca de três mil pessoas passaram pela agência central da Caixa Econômica Federal (CEF) na tarde de ontem em busca da retirada do dinheiro referente ao crédito complementar do FGTS (planos Verão e Collor I). A multidão na rua Gustavo Maciel - que se enfileirou até a rua Antônio Alves - chegou a atrair vendedores ambulantes de refrigerante e água.
Ontem foi o primeiro dia de saque das perdas do FGTS, mas somente para os trabalhadores nascidos nos meses de janeiro, fevereiro e março e que tinham até R$ 1 mil para retirar.
Segundo a gerente geral da CEF, Selma Peres Rubira, todas as quatro agências do banco em Bauru tiveram movimento “muito carregadoâ€. Na central, a expectativa era encerrar o atendimento às 19h.
De acordo com Selma, foram registrados poucos casos de pessoas que se dirigiram à Caixa na data errada. “Estamos fazendo triagem na fila, mas a maioria está no dia certoâ€, afirmou.
O motivo principal para a longa fila, na opinião de Selma, é a pressa em retirar o dinheiro logo no primeiro dia. Além disso, ela acredita que muita gente pode ter ido ao banco pensando que ontem seria o único dia para efetuar o saque.
A gerente avisa, no entanto, que não é necessário ter pressa para retirar o dinheiro. “A gente pede para as pessoas aguardarem, pois este é um direito adquirido e pode ser sacado em outras datasâ€, ressaltou.
Para agravar o problema, o jogo da Seleção Brasileira na manhã de ontem retardou a abertura das agências bancárias de Bauru para o meio-dia.
De acordo com a assessoria de imprensa da CEF, quase todas as pessoas que esperaram na fila conseguiram ser atendidas. Quem não sacou o crédito complementar ganhou uma senha para voltar hoje, antes do horário normal de atendimento.
Fila
Por volta das 16h de ontem, o clima era de indefinição na fila que virava o quarteirão em frente à agência central da CEF. Pessoas que já estavam aguardando há mais de duas horas ainda não sabiam se voltariam para casa com o dinheiro do FGTS na mão.
Para a Caixa, a causa da longa fila foi a pressa em retirar o dinheiro. Alguns, no entanto, não tinham outra opção se não esperar. “Não tenho como vir outro dia. Eu trabalho e hoje tive folga. Talvez eu volte para casa sem ser atendidoâ€, disse o lavrador Leandro Alves da Silva, 44 anos, um dos últimos da fila.
A espera valeu a pena para o ajudante-geral Walter Alves, 48 anos. Depois de mais de quatro horas na fila, ele já estava na “boca do caixa†e ainda pôde acompanhar a vitória do Brasil sobre a Turquia pela manhã. “Cheguei aqui um pouco depois do jogo, mais ou menos às 11h, mas já estou indo tirar o dinheiroâ€, comemorava.
A aposentada Ana Oliva, 70 anos, não quis esperar para sacar o crédito em outra ocasião, mesmo com uma multidão à sua frente. “Meu aniversário é em março e vim no dia certo. Não tem problema esperar, quero pegar o dinheiro logoâ€, ponderou.
O movimento de aproximadamente três mil pessoas em frente à agência da CEF atraiu a atenção do ambulante Paulo Rafael Júnior, 42 anos, que aproveitou a ocasião para vender água e refrigerante.
Apesar de ter ficado sabendo da fila tarde, Rafael Júnior comemorava as vendas. “Cheguei meio tarde aqui, mas já vendi umas 20 latinhas de refrigerante. Enquanto tiver fila aqui, eu venhoâ€, garantiu.
Hora extra
Para atender à demanda de pessoas com direito a sacar o crédito do FGTS, a Caixa Econômica Federal (CEF) estendeu seu horário de atendimento, segundo informa a assessoria de imprensa da instituição.
Desde ontem, as agências do banco em Bauru estão abrindo às 8h e fechando às 17h30. O horário extra é exclusivo para quem quiser sacar o FGTS. Para outros serviços, continua valendo o expediente normal, das 10h30 às 16h.
O gerente de mercado da CEF, Antonio Eduardo Ferreira Alves, pede para que os trabalhadores com direito ao crédito aguardem alguns dias antes de ir ao banco. “Todos os dias teremos quatro horas só para o crédito complementarâ€, explicou.
Apesar do atendimento estendido, além de esperar um pouco a recomendação é de procurar agências da Caixa consideradas mais tranqüilas, como a do Altos da Cidade ou a da avenida Nações Unidas.