09 de julho de 2026
Bairros

Funasa estudará impacto do caso Ajax

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

A Fundação Nacional da Saúde (Funasa), ligada ao Ministério da Saúde, irá iniciar, em breve, um estudo sobre o impacto ambiental da contaminação por chumbo provocada pelo setor metalúrgico da fábrica de baterias Acumuladores Ajax, em Bauru.

O procedimento consiste na execução de programas de trabalho com o objetivo de avaliar o risco da população a situações de contaminação por resíduos tóxicos.

O coordenador geral de Vigilância Ambiental em Saúde do Centro Nacional de Epidemiologia da Funasa, Guilherme Franco Netto, espera que, a partir dos resultados, possam ser estabelecidas práticas de prevenção e de orientação sobre saúde e meio ambiente em casos de contaminação.

“Nós estamos procurando disponibilizar aos Estados e aos municípios procedimentos técnicos que consigam dizer se há necessidade de retirada da população do local. Se não há, qual é o grau de contaminação, o monitoramento adequado da saúde da população para detecção precoce de problemas”, expõe.

Ele destaca que o estudo será realizado em parceria com órgãos ambientais, já que dados sobre a contaminação do ar, do solo e da água são fundamentais no processo.

Franco ressalta que outro objetivo é que os estudos possam evitar novas áreas contaminadas por resíduos perigosos. “No futuro, pretendemos atuar conjuntamente com as áreas de planejamento, meio ambiente e licenciamento ambiental para evitar que novas áreas surjam”, afirma.

A previsão é de que a pesquisa seja iniciada até o começo de agosto em Bauru, após a licitação para contratar serviço especializado cujo trabalho será acompanhado por técnicos da Funasa e da Secretaria Estadual de Saúde e do Município.

Franco acredita que até o mês de novembro haverá um parecer preliminar sobre os estudos. “Buscamos a medida adequada para conseguir a redução ou eliminação total da contaminação”, diz.

Relembre o caso

O setor metalúrgico da Ajax, localizado na altura do quilômetro 112 da rodovia Bauru-Jaú, foi interditado no final de janeiro pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) de Bauru, que detectou a presença de chumbo em análises do ar, água e solo nas proximidades da empresa.

A pedido do órgão ambiental, as Secretarias Municipal e Estadual de Saúde coletaram sangue de crianças que moram no raio de um quilômetro da Ajax.

Até agora, 767 exames foram processados, dos quais 263 apresentaram alterações. Os testes revelaram que 262 crianças e uma gestante tinham mais de dez microgramas de chumbo por decilitro de sangue, índice considerado tolerável pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Uma criança que estava com 90 microgramas de chumbo por decilitro de sangue está internada em Botucatu para tratamento pela Universidade Estadual Paulista (Unesp).

As atividades no setor metalúrgico da Ajax também foram suspensas por decisão judicial, em resposta a uma ação civil pública impetrada pelo Instituto Ambiental Vidágua.

Apesar da Justiça ter derrubado a liminar que determinava a interdição do setor metalúrgico, a empresa não voltou a funcionar.

O setor continuaria com as atividades suspensas até obter nova autorização da Cetesb, em cumprimento a um termo de ajustamento de conduta assinado com o Ministério Público. Paralelamente, a suspeita de crime ambiental está sendo investigada pela Polícia Civil.