09 de julho de 2026
Regional

Empresários denunciam pedidos de propina

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Ibitinga - A Polícia Civil de Ibitinga recebeu ontem várias ligações de empresários da cidade narrando supostos casos de cobrança de propinas, que teriam sido cobradas por fiscais do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), de São Paulo. A manifestação começou depois da prisão de Roberto Salgado e Vanderlei Herrera Sevilhano, anteontem à tarde. Ambos são funcionários do Ipem e estão preso sob acusação de concussão (extorsão cometida por funcionário público no exercício de suas funções).

De acordo com o investigador de polícia Luiz Miguel Spósito, um dos responsáveis pela prisão da dupla, a atitude dos, empresários desencadear outras investigações sobre esse tipo de crime e é vista como uma iniciativa salutar. “Só assim poderemos evitar que novos casos de extorsão sejam registrados na cidade”, disse.

Para o investigador, muitas vezes falta coragem aos empresários para denunciar o pedido de propina. Na opinião dele, essa omissão se deve por medo de supostas represálias por parte dos fiscais.

Spósito toma como exemplo a atitude do empresário Gilberto Scarpin, um dos maiores do ramo têxtil, em Ibitinga. Foi por intermédio dele que a polícia ficou sabendo da ação criminosa. “Se todos os empresários denunciassem, esses casos poderiam ser evitados”, comentou Spósito.

Segundo o empresário relatou ao investigador, o fiscal do Ipem Roberto Salgado teria constatado uma irregularidade nas etiquetas das peças de bordado produzidas pela sua empresa. O fiscal teria notificado um funcionário da empresa e alertado quanto a uma pesada multa em razão da falha.

Entretanto, ele teria aberto uma possibilidade de “diálogo” com a empresa. De acordo com a proposta, Salgado teria sugerido o pagamento de R$ 1.000,00, em dinheiro, para “esquecer” as falhas nas etiquetas.

A entrega do valor foi feita no local e horário combinados. Mas, antes, por volta das 17h30, o empresário procurou a polícia, disse o que estava acontecendo e foi orientado pelo investigador a ‘xerocar’ todas as cédulas de R$ 50,00, antes de entregá-las ao fiscal.

Feito isso, a polícia preparou o flagrante e deteve Salgado e o motorista Vanderlei Herrera Sevilhano, quando eles saíam de um supermercado, no centro da cidade. Segundo Spósito, o dinheiro já havia sido dividido entre os dois: R$ 650,00 para o fiscal e R$ 350,00 para o motorista.

De acordo com o investigador, a numeração das cédulas de R$ 50,00 encontradas com os funcionários do Ipem coincidiram com aquelas que foram ‘xerocadas’ pelo empresário.

Os acusados foram levados à delegacia, onde foram ouvidos pelo delegado Carlos Alberto Ocon de Oliveira. Em seguida, foram encaminhados à Cadeia Pública de Ibitinga, onde aguardam decisão da Justiça.

O crime de concussão, segundo a polícia, é punido com pena que varia de dois a oito anos de reclusão.

Prisão surpreende chefe

Para a chefe da equipe de fiscalização do Ipem, no ramo têxtil, Elizete Aparecida Fernandes da Silva, a prisão dos dois funcionários foi uma “grande surpresa”.

De acordo com ela, o fiscal Roberto Salgado trabalha com a equipe há cerca de 13 anos e o motorista Vanderlei Herrera Sevilhano há aproximadamente seis anos. “Eu não sei o que dizer. Fui pega de surpresa. Eu não esperava isso”, afirmou ela.

Na opinião de Elizete, fatos como o ocorrido em Ibitinga denigrem a imagem do instituto. “A gente batalha muito para manter uma boa imagem da equipe. Esses acontecimentos destróem tudo”, lamentou.

Até o fim da tarde de ontem, Elizete ainda não tinha detalhes da prisão dos funcionários do Ipem, em Ibitinga. Mas adiantou que uma sindicância deve ser instaurada para apurar os fatos. Se a comissão considerar que os dois são realmente culpados, eles devem ser punidos, segundo Elizete.