Pronto-socorro vazio. Esta cena que mais parece utopia foi realidade na manhã de quarta-feira, quando o Brasil disputava com a Turquia uma vaga na final da Copa 2002.
A ausência dos pacientes do PSM é um fato inusitado, mas que poderia ser repetido muitas vezes se a população tivesse consciência da utilidade do serviço. Cerca de 85% dos atendimentos não são de urgência e emergência.
Para o diretor do Departamento de Urgência e Emergência do PSM, Felinto dos Santos Neto, urgências e emergências são casos médicos que não podem esperar de jeito nenhum. Aqueles em que as pessoas correm risco de morte. “Os acidentes de todos os tipos, ferimentos, febres muito altas, dores no peito e suspeitas de doenças graves.â€
De acordo com ele, no PSM/central o número de consultas diárias é de 280 a 350, enquanto que no Pronto-Atendimento Infantil, chega a 150/dia. “Cerca de 85% são pacientes com doenças crônicas que deveriam ter agendado consultas nos núcleos ou no ambulatório de especialidade, mas procuram o PS porque aqui é certeza de atendimento.â€
Santos Neto frisa que a prioridade do PS são as urgências. “As pessoas que querem ser consultadas ficam impacientes porque acham que há demora no atendimento. Eles não sabem que os plantonistas têm que dar atenção aos 20 leitos de pacientes graves que aguardam vaga no hospital e, vez ou outra, precisam de assistência. É quando o médico deixa o consultório.â€
Casos de pacientes crônicos emperram o atendimento, admite o diretor. “O PSM fica cheio, mas são casos que podem esperar. O plantonista prioriza aqueles pacientes que correm risco de morte. Temos duas salas de sutura e os médicos têm que atender aqueles que chegam com ferimentos. Nestes momentos, as consultas param e os pacientes reclamam achando que não há médicos atendendo.â€
Um atestado por favor
Se os 90 minutos de jogo representam uma pausa no atendimento do PSM, poucas horas depois, significa superlotação e uma corrida em busca de atestados médicos, comenta Felinto dos Santos Neto.
De acordo com o médico, a busca pelo atestado médico ocorre em função de a pessoa ter que justificar a falta que deu no trabalho. “Percebemos que nas empresas que não dispensam o funcionário, eles faltam. Depois do jogo, procuram o PSM com dor de cabeça ou com queixas banais. No final da consulta, pedem um atestado.â€
O diretor avisa que o PSM não fornece atestado médico. Oferece apenas uma declaração de comparecimento que não vale como atestado médico.
A partir de agosto, o PSM vai passar por uma reforma que deve durar um semestre. Neste período o atendimento será precário, pois 50% do prédio estará funcionando e a outra parte estará em reforma. “Nós pedimos que a população só procure o PSM em casos de urgência e emergência. Desta maneira, o usuário que necessitar de atendimento será atendido.â€