Gastamos, recentemente, um valioso “flashâ€, tirando, da melhor maneira imaginável, o retrato cultural do Brasil contemporâneo. O enfoque abarcou praticamente o horizonte inteiro da nacionalidade, eis que abrangeu, a partir do ensino fundamental, todo o cobiçado nível superior, englobando as profundezas do problema, localizadas, no nosso entender, nas deficiências estruturais do aprendizado em geral. O arrazoado, conforme lembram os leitores, mereceu inclusive apreciação favorável de um catedrático do ensino, o ilustre professor Rodolpho Pereira Lima, para quem nossas colocações atingiram direto o grande alvo ao advogar urgentes medidas governamentais objetivando tornar este país algo mais letrado, afim de que tenha campo para derrubar barreiras que ainda tem, na frente, atrás e nos lados, e que o impedem de se aproximar da ilustração própria das nações evoluídas, metade de cujas populações é razoavelmente culta, o que tem sido fator fundamental de seu indiscutível progresso em todas as suas cogitações.
De acordo com estatísticas oficiais, na Alemanha os cognominados analfabetos de grau um, ou seja, alfabetizados mas incapazes de interpretar as colunas dos jornais e revistas, chegam apenas a 14%, ao passo que nos Estados Unidos vão a 21% e, na Inglaterra, 22%. Os ingleses consideram-no muito e, segundo as notícias, para melhorar a taxa, reduzindo-a segundo o seu ideal, o governo introduziu no âmbito da escola fundamental aquilo que é a “literacy hourâ€. Em todos os citados países a leitura literária é a mais difundida das atividades culturais, superando inclusive, surpreendentemente, visita a museus e comparecimento a espetáculos teatrais e “showsâ€, por isso que cerca de 125 milhões de americanos, quase metade da população dos EUA, lêem rotineiramente peças de teatro, poesias, novelas e contos. “A China do século XVII era uma nação mais avançada que as européias e travou conhecimento da imprensa bem antes que Guttembergâ€, mas, conforme destaca a história, “os governantes chineses sempre se opunham ao uso dos livros impressos, no ensino de seus estudantes, porque a arte suprema do letrado era a caligrafia. Enquanto isso, nas escolas islâmicas o clero repudiava o uso do livro porque este substituía a memóriaâ€.
Conseqüentemente, diante de tantas lembranças históricas, urge que o Brasil se encaminhe também no sentido de um país tão letrado quanto possa, tendo em mira que o homem comum de uma nação moderna é alguém que se torna adulto, preparado para ler e estudar tudo quanto chegue às suas mãos, levando em consideração que hoje, como ontem, o produto mais valioso que nos é oferecido chama-se informação, que não pode ser confundida com satélites, receptores, computadores e transmissores através de cujas entranhas ela circula abertamente. E é, então, para tal caminho, que teremos de nos voltar, se pretendermos ver o Brasil, um dia, ostentando o placar dos mais letrados. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)