11 de julho de 2026
Bairros

Mototaxistas cobram fiscalização

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

Outra categoria que está se sentindo lesada pela regulamentação da atividade é a dos mototaxistas.

Para obter licença para trabalhar, os prestadores de serviço precisam se cadastrar na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). No entanto, grande parte dos que atuam na cidade é clandestina. “Calculamos que mais de 100 mototaxistas trabalhem de forma irregular em Bauru”, destaca Adriana Fernandes Garcia, gerente de Transportes Especiais da Emdurb.

No entanto, esse número deve ser muito maior, segundo os próprios mototaxistas. “De cada três motos que a gente vê passar, duas não são legalizadas”, comprova Nelson Gomide, que exerce a atividade na área central da cidade.

Ele acusa a Emdurb de não coibir a ilegalidade, prejudicando a categoria. “Nós pagamos para trabalhar e perdemos clientela para quem não está regulamentado”, reclama.

“Quem pagou saiu no prejuízo”, afirma o também mototaxista Devair José da Silva Júnior.

Desiludido com as condições de trabalho, ele está abandonando a atividade. “Eu consegui emprego como motoboy em uma empresa e não vou mais exercer a profissão de mototaxista, apesar de estar legalizado. Não vale a pena”, diz.

Seu colega, Claudinei Garcia Cruz, que trabalha há cinco anos no ramo, salienta que a burocracia afasta quem quer se legalizar. “Tem muita gente que não procura a regulamentação porque tem de enfrentar muita papelada e ainda desembolsar uma grana”, conta.

A Emdurb cobra uma taxa anual de R$ 21,28 para que o mototaxistas possa atuar.

Adriana Garcia confirma que o processo para o cadastramento não vem ao encontro das necessidades da categoria. â€œÉ preciso passar por um processo seletivo e isso demanda tempo. Estamos tentando simplificar o máximo possível para tornar mais acessível a licença.”

A Emdurb tem 200 mototaxistas cadastrados e 209 vagas para novos prestadores de serviço.

Gomide salienta que, depois que a atividade foi legalizada, o movimento caiu consideravelmente. “Acho que o poder aquisitivo das pessoas anda baixo”, salienta. Além disso, ele diz que alguns companheiros “mancharam” a idoneidade da profissão. “Tem mototaxista que apronta, que canta as clientes, e isso dá uma imagem negativa para nós”, completa.

Para ele, a organização da atividade, que começou informalmente devido à falta de vagas no mercado de trabalho, é viável e deve ser feita. “Tem que fazer funcionar, como os táxis. Tem táxi clandestino? Não tem. O que está faltando é mais rigor na fiscalização”, afirma.