Outra categoria que está se sentindo lesada pela regulamentação da atividade é a dos mototaxistas.
Para obter licença para trabalhar, os prestadores de serviço precisam se cadastrar na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). No entanto, grande parte dos que atuam na cidade é clandestina. “Calculamos que mais de 100 mototaxistas trabalhem de forma irregular em Bauruâ€, destaca Adriana Fernandes Garcia, gerente de Transportes Especiais da Emdurb.
No entanto, esse número deve ser muito maior, segundo os próprios mototaxistas. “De cada três motos que a gente vê passar, duas não são legalizadasâ€, comprova Nelson Gomide, que exerce a atividade na área central da cidade.
Ele acusa a Emdurb de não coibir a ilegalidade, prejudicando a categoria. “Nós pagamos para trabalhar e perdemos clientela para quem não está regulamentadoâ€, reclama.
“Quem pagou saiu no prejuízoâ€, afirma o também mototaxista Devair José da Silva Júnior.
Desiludido com as condições de trabalho, ele está abandonando a atividade. “Eu consegui emprego como motoboy em uma empresa e não vou mais exercer a profissão de mototaxista, apesar de estar legalizado. Não vale a penaâ€, diz.
Seu colega, Claudinei Garcia Cruz, que trabalha há cinco anos no ramo, salienta que a burocracia afasta quem quer se legalizar. “Tem muita gente que não procura a regulamentação porque tem de enfrentar muita papelada e ainda desembolsar uma granaâ€, conta.
A Emdurb cobra uma taxa anual de R$ 21,28 para que o mototaxistas possa atuar.
Adriana Garcia confirma que o processo para o cadastramento não vem ao encontro das necessidades da categoria. â€œÉ preciso passar por um processo seletivo e isso demanda tempo. Estamos tentando simplificar o máximo possível para tornar mais acessível a licença.â€
A Emdurb tem 200 mototaxistas cadastrados e 209 vagas para novos prestadores de serviço.
Gomide salienta que, depois que a atividade foi legalizada, o movimento caiu consideravelmente. “Acho que o poder aquisitivo das pessoas anda baixoâ€, salienta. Além disso, ele diz que alguns companheiros “mancharam†a idoneidade da profissão. “Tem mototaxista que apronta, que canta as clientes, e isso dá uma imagem negativa para nósâ€, completa.
Para ele, a organização da atividade, que começou informalmente devido à falta de vagas no mercado de trabalho, é viável e deve ser feita. “Tem que fazer funcionar, como os táxis. Tem táxi clandestino? Não tem. O que está faltando é mais rigor na fiscalizaçãoâ€, afirma.