A tentativa de organização das categorias informais chegou até mesmo aos catadores de papel, atividade geralmente exercida pela população que vive na margem mais extrema da sociedade, sem recurso algum de sobrevivência.
Através de uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Bauru e a Associação dos Catadores de Material Reciclável, muitos carrinheiros deixaram de trabalhar nas ruas para exercer a atividade de separador de recicláveis.
De acordo com a secretária municipal do Bem-Estar Social, Sandra Scriptore, o lixo que chega à central de reciclagem é apenas aquele recolhido pela Secretária Municipal do Meio Ambiente (Semma), através da coleta seletiva. “A coleta ainda é muito restrita e não há como aumentar essa atividade e formalizar outros trabalhadoresâ€, explica.
Enquanto isso, muitas pessoas continuam recolhendo material reciclável nas ruas e comercializando a empresas de ferro-velho.
Essa atividade é exercida, principalmente pelos carroceiros.
Na tentativa de legalizar esse segmento, colocando regras para a sua circulação nas vias de maior fluxo da cidade, o vereador José Eduardo Fernandes Ávila (PPB) criou um projeto de lei. Além de determinar horários e áreas para a circulação das carroças, a proposta visa punir quem maltrata os animais. “Nós precisamos aprovar esse projeto logo. Não há regra alguma para as carroças, está tudo acontecendo à derivaâ€, diz o vereador.
Ávila salienta que por não ter uma norma de conduta, as carroças já provocaram muitos acidentes. “Tem menores conduzindo esse veículo, sem a mínima noção de leis de trânsito. Um verdadeiro perigo o tráfego de Bauru, que já é caóticoâ€, diz.
Um dos itens do projeto diz que as carroças ficariam proibidas de trafegar depois das 19h, por não possuírem equipamentos de segurança, como lanternas por exemplo. "O olho do cavalo não tem luz. Como é que os motoristas vão enxergar as carroças à noite no trânsito?", questiona o vereador.
Benefício
O projeto de lei já gerou algumas discordâncias, principalmente pelo fato de restringe a circulação da carroça justamente no horário em que os trabalhadores estariam recolhendo papelões abandonados pelos comerciantes no quadrilátero central da cidade (após o fechamento das lojas).
No entanto, Ávila não se abala. “Não existe lei perfeita. Tem que começar de alguma maneiraâ€, afirma.
Para o presidente da Associação dos Carroceiros da Zona Leste de Bauru, Aparecido Quirino Claudio, a lei só funcionaria se trouxesse benefícios para a categoria. “Acredito que os carroceiros cumpririam a legislação à risca se ela fosse benéfica. Não adianta apenas reprimir a atividade. Assim fica difícil de todos entenderem a leiâ€, explica Claudio.
Além de determinar horários e locais para circulação das carroças, o projeto de lei prevê punições para os carroceiros que maltratarem os animais.
Apesar de ter recebido várias críticas, Ávila diz que não pretende modificá-lo. A não ser que ele receba emendas das comissões de vereadores que estão analisando-o. "Eu já aceitei sugestões, mas agora o projeto está pronto", destaca.