08 de julho de 2026
Bairros

Cooperativa de trabalho é opção viável

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

Formar cooperativas de trabalho seria uma alternativa viável de organizar a informalidade. Essa é a opinião do professor de sociologia do Departamento de Ciências Humanas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Maximiliano Martin Vicente. De acordo com ele, dessa forma os trabalhadores ganham poder de fogo na hora de buscar melhorias para suas atividades. “Lutar sozinho não funciona. Tem que unir forças”, explica.

Essa também é a opinião de muitos trabalhadores que atuam na informalidade, como é o caso do camelô Fabrício Genaro. “Seria interessante se os camelôs formassem uma cooperativa para adquirir mercadorias. O preço ficaria mais acessível e não seria necessário comprar produtos contrabandeados”, diz.

Vicente ressalta que, para que esse tipo de organização dê certo, é necessário o envolvimento de todos os trabalhadores. “Tem de haver um comprometimento de todos que formam a cooperativa. A função deve ser a de estimular a produção”, frisa o professor.

Ao contrário do que muitos imaginam, a divisão dos lucros não seria igualitária. Depende das condições de trabalho de cada membro. “Aquele que tem mais condições, vai pagar mais tributos dentro da cooperativa. Mas, o seu retorno também será maior”, explica Vicente.

O presidente da Associação dos Carroceiros da Zona Leste de Bauru, Aparecido Quirino Claudio, também sugere a formação de um grupo de trabalho no setor, como o da Associação de Catadores de Material Reciclável. De acordo com ele, a prefeitura deveria reservar um local para depositar materiais recicláveis recolhidos na área central. “A prefeitura recolheria o material com caminhões e depositaria numa determinada área. Os carroceiros cadastrados em uma cooperativa iriam até lá e recolheriam o material de seu interesse, sem a necessidade de ficar andando nas ruas movimentadas”, sugere.

A secretária municipal do Planejamento, Maria Helena Rigitano, diz que está estimulando os camelôs a formarem cooperativas, no intuito de legalizar a atividade. “A minha preocupação é que essa iniciativa mude de figura e acabe na mão de um grande empresário, que manipule o trabalho dos ambulantes.”