09 de julho de 2026
Regional

Escola tem mais de 2 mil livros em braile

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Igaraçu do Tietê - A Escola de Recurso ao Deficiente conta hoje com mais de dois mil livros transcritos para o braile. São romances, aventuras, poesias, cartilhas, dicionários. Enfim, uma variedade de títulos tão grande quanto há em uma biblioteca convencional. Em meio a doações e bazares beneficentes, a escola vai se equipando para atender cada vez melhor os deficientes visuais de Igaraçu do Tietê e da região.

Uma das principais finalidades da escola, senão a principal, é ajudar os alunos a solucionar dúvidas que surgem nas salas aula comuns. O atendimento engloba, basicamente, estudantes do ensino fundamental e médio. Mas quem faz faculdade também pode usar os livros e equipamentos da escola.

Além dos livros em papel, os alunos encontram também versões em audiolivro (textos gravados em fitas cassetes). Para os alunos com visão subnormal (não totalmente comprometidas), a escola oferece aparelhos eletrônicos especialmente adaptados para atendê-los.

Por meio de uma lupa eletrônica, é possível ler na TV o que está escrito em um livro ou revista. O aluno passa a lupa sobre as letras miúdas, impressas no papel, e elas são projetadas na tela da TV, de forma ampliada.

Computadores com as teclas em braile e que emitem o som das palavras também são algumas das opções que os deficentes visuais encontram na Escola de Recurso, em Igaraçu. Entre as outras opções, estão uma máquina de escrever, que possui todas as letras em braile.

Segundo informou a professora Aparecida Bis, 57 anos, idealizadora da escola, grande parte do material é doada. A outra é comprada com recursos obtidos com bazares beneficentes.

Do Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAP) e da Fundação Doriva Noyll vêm os livros e revistas. Os computadores foram doados pelo Estado e por empresas locais.

O próximo passo da escola, e um dos mais ousados, é conseguir recursos para comprar uma impressora em braile. O equipamento teria sido prometido por uma fundação alemã, mas desde que houvesse disponibilidade de recursos.

Por ser uma máquina cara (custa cerca de R$ 15 mil), Aparecida mostra-se desconfiada quanto à concretização da promessa. Por isso, ela está preparando uma lista de potenciais colaboradores.

De acordo com a estratégia traçada pela professora, cada empresa colaboraria com R$ 500,00, até chegar ao valor necessário para a compra da impressora. “Isso (a compra da impressora) facilitaria muito as tarefas dos alunos. Hoje, os textos que não estão em livros, a gente bate à máquina”, disse a professora.

Mobilidade

A Escola de Recurso ao Deficiente Visual não ensina os alunos apenas a ler e escrever em braile. Ela ensina também a andar.

Cansada de esperar a chegada de um técnico para as atividades de orientação e mobilidade, Aparecida Bis decidiu arregaçar as mangas e fazer ela mesma. “Hoje, eu vejo o quanto valeu a pena ter feito isso”, alegra-se.

Pedro de Souza, 56 anos, foi um dos primeiros alunos. Há oito anos, ele dependia de outras pessoas para se locomover. Depois da orientação dada pela professora, não há nada que o impeça de andar por toda a cidade, sozinho.

Além dele, Aparecida cita outros casos. Alguns alunos não moram mais em Igaraçu. Um deles está na Bahia. Ele já ligou convidando a professora para visitá-lo e se propôs até mesmo a levá-la para conhecer os principais pontos da cidade. “Um exemplo de superação”, afirma a professora.