08 de julho de 2026
RH & Tendências

Conhecimento é a chave para o sucesso

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 5 min

Texto: Fabiana Teófilo

Para que as empresas consigam que o funcionário se adeqüe aos padrões de produtividade e qualidade exigidos, é necessário que hajam instrumentos facilitadores do aspecto motivacional. Conhecer bem o quadro de funcionários e saber de suas necessidades é um dos principais tópicos para se alcançar esse objetivo.

De acordo com a diretora de uma empresa de assessoria em R.H., Daniela Gibin Duarte de Matos, a motivação é uma força que se encontra no interior de cada pessoa e que está ligada a um desejo que pode vir de necessidades intrínsecas ou do exterior.

Vale lembrar que ninguém é motivado por pressão. “Para que os funcionários consigam desenvolver suas atividades da melhor forma possível, com competência, produtividade como as empresas exigem, eles têm que estar motivados para a execução dessas atividades”, diz.

Daniela afirma que a motivação está diretamente ligada à produtividade e que uma pessoa só estará motivada se a ênfase for dada naquilo que ela é capaz de fazer. “Nunca ninguém terá um bom rendimento, ser produtivo e estar motivado, se for exigido algo que essa pessoa não tenha competência para fazer, que não tem potencial para desenvolver ou que realmente não é de responsabilidade dela. Então, essa definição de papéis dentro de uma empresa é muito importante”, explica.

Ela lembra que a empresa tem que dar um “feedback” ao funcionário em relação à oportunidade de agir, ou seja, condições, programas, estrutura para que os funcionários consigam crescer. Além disso, Daniela diz que os funcionários têm que ter acesso ao resultado desse processo.

Na verdade, o fato é que não adianta a empresa apenas exigir. Ela tem que dar o suporte para que seus funcionários se enquadrem às suas exigências. Cursos, reciclagem, palestras fazem parte desse suporte. Além disso, é preciso existir a motivação com prêmios, reconhecimentos, formas que gratifiquem aquele que alcançou a meta desejada.

De acordo com Daniela, é importante conhecer as pessoas, seus valores, atitudes, crenças e reações. “A empresa tem que conhecer os funcionários. o que eles esperam, suas necessidades, suas satisfações e insatisfações em relação à empresa. Isso porque não adianta, por exemplo, oferecer um convênio com um clube, se o que eles querem é uma cesta básica. Esse conhecimento não vai deixar que o erro ocorra”, detalha.

Através de instrumentos apropriados (quadro nesta página), a empresa tem como saber o que, exatamente, quer seu funcionário, o que ele espera pela sua dedicação. A participação nos lucros e resultados é um exemplo de instrumento. Projeta-se uma meta, por exemplo, de economia de telefone. Se essa economia é alcançada, o valor da diferença pode ser dividido entre os funcionários.

As empresas também devem saber que, além de apontar onde há a falha do funcionário, é preciso fornecer subsídios para que ele melhore nesse ponto.

Daniela afirma que as empresas que não se adequarem a esse processo de motivação dos funcionários para a melhora da produtividade nos próximos cinco anos, não conseguirão se manter no mercado.

O outro lado

Para a conquista do objetivo pré-estabelecido é necessário, de acordo com Daniela, também um esforço pessoal. Além dos subsídios oferecidos pela empresa, o funcionário também tem que ter algo dentro de si para que haja o movimento positivo em busca da qualidade.

Em primeiro lugar é preciso existir uma eficiência pessoal, um desafio, é preciso saber que pode alcançar ou fazer algo e se esforçar para conseguir. As pessoas que estão acomodadas, não têm perspectivas de crescer, precisam desse desafio. Outro ponto são as coordenadas do trabalho. É preciso saber o que fazer, ter diretrizes para alcançar algum objetivo.

A autonomia e a iniciativa também fazem parte desse processo. É preciso ter autonomia para desenvolver o próprio trabalho e a conseqüência disso é a responsabilidade. A sinceridade também é muito importante para um acompanhamento efetivo.

Por último, é preciso que o grupo aja com a mesma energia, ou seja, não adianta, dentro de um setor, só uma pessoa ter o desafio de melhorar algum aspecto; é preciso uma união. Dessa forma, qualquer desânimo será minimizado pelo grupo, por isso essa participação e cooperação devem existir e não só de pessoas de mesmo nível hierárquico, mas também de superiores, pois se um superior não acredita no projeto, o sucesso conseqüentemente não será alcançado.

Pressão faz com que funcionário adoeça

O estresse, a depressão, as lesões por esforços repetitivos (LER), entre outras, são doenças que vêm aumentando a cada ano entre a população economicamente ativa. Esse aumento se deve ao esforço que os empregados estão fazendo para se manter estáveis em seus empregos.

A explicação real, de acordo com a psicóloga Maria José Barbosa de Gobbi, é a pressão que as empresas fazem sobre seus funcionários. “Há uma pressão social e psicológica que é feita para que se produza mais para ganhar mais. Isso porque se não produzir, o trabalhador corre o risco de perder seu emprego. Então, para manter o padrão de vida, dá o que não tem e adoece”, explica.

A psicóloga diz que a pressão dos patrões em relação a seus funcionários causa uma ansiedade muito grande e, conseqüentemente, diversas doenças. Ela lembra que, nos dias de hoje, há muitos funcionários afastados do trabalho por licença médica. Isso acaba causando um gasto maior para a empresa.

A maneira de se evitar esse quadro, de acordo com Maria José, é contratando profissionais para conversar com os funcionários da empresa. â€œÉ preciso cuidar da parte emocional do funcionário, que é um ser humano. Palestras, conversas, dinâmica de grupo, trabalho com o lado emocional são fundamentais. As empresas deixam de fazer isso por medo de aumentar os gastos, mas no fim, o gasto maior é com os empregados que desenvolvem algum tipo de doença e não produzem como poderiam produzir”, explica.

Maria José acredita que o momento atual se configura em que se as pessoas que não se especializam, não realizam cursos respondendo às exigências do mercado de trabalho, são colocadas de lado. “Cada vez mais se exige do homem, além das habilidades técnicas para o trabalho, um preparo físico, emocional e espiritual. Essas coisas caminham de mãos dadas”, afirma.