Yokohama - O mais vitorioso jogador da seleção de Luiz Felipe Scolari imortalizou-se ontem ao erguer a Taça Fifa no estádio de Yokohama. Marcos Evangelista de Moraes, o Cafu, 32 anos, viveu na cidade japonesa a maior alegria da carreira.
Criticado por Scolari antes da Copa por não saber marcar, ganhou o reconhecimento do técnico e a tarja de capitão que pertencia ao volante Émerson, cortado por lesão, na véspera da estréia.
Com o troféu nas mãos, o lateral fechou uma Copa em que quebrou recordes e entrou para um seleto grupo de jogadores com quatro títulos mundiais - dois pelo Brasil e dois pelo São Paulo. Ficou perto da marca de Pelé, que ganhou o mundo cinco vezes (três na seleção e duas no Santos).
Ontem, Cafu não fez história só ao ser o quinto brasileiro a erguer a taça mais cobiçada do futebol. Em Yokohama, ele tornou-se o único jogador de futebol em todos os tempos a entrar em campo em três finais de Copa - foi campeão em 1994 e vice em 1998.
O lateral, que estreou na seleção como ponta-direita em 12 de setembro de 1990, na derrota para a Espanha por 3 a 0, bateu outra marca neste Mundial. Em seu 120º jogo, virou o atleta que mais defendeu o time nacional em partidas oficiais em todos os tempos.
O antigo dono do recorde era o goleiro Taffarel, tetracampeão em 1994, que disputou 114 jogos oficiais com a camisa da seleção. “Essa é uma vitória pessoal. Não consigo parar de sorrir ao saber que, por meus próprios méritos, entrei definitivamente para a históriaâ€, repetia Cafu antes da final.
Desde que iniciou sua carreira, em 1989, no São Paulo, o lateral foi ídolo por onde passou. Em cinco anos no Morumbi, integrou o time mais vitorioso da história são-paulina. Ganhou, entre outros, o Brasileiro-1991, três Paulistas, duas Taças Libertadores e dois Mundiais Interclubes (1992 e 1993).
Em 1994, transferiu-se para o Zaragoza da Espanha, no qual ficou uma temporada. Em 1995, retornou ao Brasil para defender o Palmeiras (com uma passagem relâmpago pelo Juventude-RS). Em 1997, foi novamente para a Europa, desta vez para a Roma da Itália. Com o scudetto da temporada 2000/2001, também entrou para a história do clube romano, no qual continua até hoje.
Mesmo com tantos títulos, a sede de Cafu não cessa. Pensa em, aos 36 anos, estar na Copa-2006. Após ter ganho o título hoje, Cafu homenageou pessoas queridas ao escrever na camisa "100% Jardim Irene", bairro da periferia de São Paulo, onde nasceu.
O capitão Cafu dedicou a conquista do pentacampeonato mundial a sua esposa Regina. Ao receber a taça das mãos do presidente da Fifa, Joseph Blatter, Cafu fez um declaração de amor. “Regina eu te amo. Esse título é para vocêâ€, disse Cafu. â€œÉ um momento de muita alegria, felicidade, por ter convivido com esses garotosâ€, completou.