08 de julho de 2026
Copa 2002

Festa começa antes do jogo

Agência Estado
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A final da Copa estava por começar, mas no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, várias pessoas andavam, faziam exercícios como em quase todas as manhãs. Desinteresse pelo jogo? Não. A maioria ali tentava fugir da ansiedade de estar diante de uma TV, onde a angústia de querer vencer e a impotência aceleram os batimentos cardíacos.

O único contato com a partida eram os gritos que vinham dos arredores, o som distante de rádios e TVs em altos volumes e os fogos. As explosões começaram no dia anterior, se intensificaram durante a madrugada e o início da manhã.

Quando Luiz Eduardo Corrêa de Melo e Luzia Cortes de Melo, de 55 e 53 anos, caminhavam pelo parque, os estouros se sucediam em intervalos mínimos, como se um espocar competisse com o outro, e todos anunciavam que a decisão havia começado. “O ambiente aqui é mais legal para torcer”, disse Melo. “Com aquela defesa que nós temos o melhor é vir andar.”

Luzia considerava que diante da tela a angústia seria maior e ali se podia saber de tudo pelas reações da cidade. “E aqui você consegue descarregar as emoções.” Emoções e nervosismo que também tiraram de casa Cleusa Soares da Silva, de 43 anos. Habitualmente, ela vai ao Ibirapuera exercitar o corpo, os músculos. Ontem, no entanto, ela passou o período do jogo caminhando para relaxar, para acalmar os nervos. Assistir ao jogo para ela é exercício demais, tensão em excesso. “Fico muito nervosa e por isso escolhi vir para cá para me acalmar”.

Mas nem todos ficam tão nervosos. Malu de Castro, de 38 anos, não admite que o estresse seja a razão de ficar longe da TV. Para ela, a razão de ir ao Parque era meditar, mentalizar em favor da seleção. “Amo o futebol, só que o meu estilo de torcer é fazer meditação”.

Caminhando com seus cães, Negão e Branquinha, ela disse não ter dúvida de que o Brasil venceria por 2 a 0. “Sou exemplo de pensamento positivo”, disse. “O que vou fazer diante de uma TV?” Em casa, ela acredita que não teria utilidade. No parque, cria ter condição de torcer mais. “Aqui estou com a força da natureza”.

Mas avenida Paulista, tradicional ponto de encontro dos paulistanos para comemorações, foi o local preferido dos torcedores. Cerca de seis quarteirões ficaram repletos de brasileiros vibrando com o penta. Um trio elétrico animou ainda mais os torcedores.

O Sambódromo do Anhembi ganhou uma enorme bandeira verde e amarela de 600 metros de comprimento, confeccionado pela comunidade das escolas de samba de São Paulo. A bandeira foi colocada na passarela.

No Rio, cerca de dois mil torcedores fizeram a festa na rua Alzira Brandão, na Tijuca. Os torcedores do Alzirão, como é conhecido o local, saudaram o final da partida com gritos de “é campeão”, dançando e cantando. Durante o jogo, a aflição tomou conta dos torcedores, o que não impediu que, durante o intervalo, quando a partida estava ainda 0 a 0, os torcedores comemorassem com samba, cerveja e uísque, oferecido por vendedores ambulantes.