A Casa de Nazaré está passando por dificuldades financeiras e corre o risco de fechar suas portas para o atendimento de meninas de 12 a 18 anos que sofreram maus-tratos, abuso sexual ou abandono. A informação é do presidente da diretoria executiva da entidade, Pedro Sérgio Batista.
Com 12 anos de funcionamento, até recentemente era a única entidade em Bauru com o perfil de atender meninas em situações de risco. Este ano, o abrigo para meninas do Centro de Valorização da Criança (Cevac) iniciou suas atividades, colaborando nessa tarefa com o atendimento de dez meninas. A Casa de Nazaré, localizada no Jardim Prudência, tem capacidade máxima para 20 menores.
Somando as verbas repassadas pelos governos municipal e estadual, a Casa de Nazaré recebe R$ 1.373,00 mensais. De acordo com Batista, a entidade gasta por mês mais de R$ 5.500,00.
O presidente da entidade afirma que há mais de quatro anos não há reajuste dos valores repassados mensalmente. “Os recursos não aumentam conforme aumenta nossa necessidadeâ€, ressalta.
São gastos que vão desde a alimentação diária e balanceada das 20 meninas até pagamento de funcionários - assistente social, psicóloga, monitora, entre outras -, gasolina para levá-las à unidade de saúde, por exemplo, dentista, remédios, roupas, cópia de documentos, e gastos com cartório.
A maior parte da receita da Casa de Nazaré vem da colaboração da Paróquia de São Benedito, que desde 1995 auxilia a entidade. Além disso, os recursos necessários para suprir as despesas da casa são angariados em eventos beneficentes, como festas, bingos e pasteladas.
“Hoje estamos trabalhando para gerar recurso para custeio e não para melhorar a qualidade de vida das meninas. Estamos achando que não estamos cumprindo nossa obrigação pela falta de recursosâ€, diz Batista.
Ele está pleiteando que a Casa de Nazaré receba recursos equivalentes ao do recém-inaugurado abrigo para meninas do Cevac. Segundo o presidente da casa, a nova entidade recebe do município cerca de R$ 6 mil mensais, através de convênio firmado com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Nos próximos dias, a direção da Casa de Nazaré, apoiada pelo Conselho Tutelar de Bauru, irá encaminhar ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente a solicitação do convênio. “Se não conseguirmos esses recursos, vamos ter que fechar a casaâ€, agrava Batista.
A presidente do Conselho Tutelar de Bauru, Darlene Têndolo, explica que o dinheiro que as entidades de Bauru recebem do município refere-se ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Conselho quer projeto
O presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Raulino Coan, diz que a destinação da verba do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente é baseada em projetos de trabalho.
Contrariando a informação da presidente do Conselho Tutelar, Darlene Têndolo, ele afirma que o abrigo para meninas do Cevac presta um tipo de serviço que não existia até então em Bauru, atendendo meninas envolvidas com drogas ou violência.
“O trabalho do Cevac é muito mais importante e mais interessante porque também é preventivoâ€, diz Coan.
Ele afirma que o pedido de convênio será analisado. “Sabemos dessa questão da dificuldade financeira e não está fácil. Talvez o projeto da Casa de Nazaré deveria ser melhor encaminhado. Ela deveria documentar o trabalho que está desenvolvendo lá. O poder público é muito burocráticoâ€, expõe Coan.
“Possibilidade eu não vou dizer que não existe. Eles têm todo o direito de fazer esse questionamentoâ€, acrescenta o presidente do conselho.