10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Cesta básica cai pelo 3º mês seguido

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Pelo terceiro mês consecutivo, o preço mínimo da cesta básica em Bauru apresentou ligeira queda. Em junho, o valor ficou em R$ 141,89, o que representa uma redução de 0,53% em relação a maio, quando o preço mínimo da cesta foi de R$ 142,64. Os valores e as variações foram detectados pela Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), em pesquisa mensal realizada para o Data-ITE.

Pela metodologia utilizada, de acordo com os critérios do Dieese, quem quiser comprar a cesta básica por R$ 141,89 deverá percorrer todos os supermercados para comprar cada um dos 31 itens relacionados pelo preço mínimo verificado na pesquisa.

A queda do mês passado, no entanto, não se configura se o preço da cesta básica de junho for comparado ao mesmo mês de 2001. Nessa situação, há um aumento de 2,4%: R$ 138,56 de junho do ano passado contra os R$ 141,89 detectados no mesmo período de 2002.

De acordo com o coordenador do instituto de pesquisas, Reinaldo César Cafeo, o grupo de produtos que “puxou” o valor da cesta básica para baixo foi o de alimentação, que apresentou queda de 1,09% em relação ao mês anterior. O grupo somou R$ 103,50. Não fosse isso, a cesta teria um aumento significativo.

A elevação da cotação do dólar foi responsável por aumentar os preços do grupo de limpeza doméstica, que geralmente utiliza componentes importados na fabricação. Os produtos desse grupo sofreram alta de 5,9%, totalizando R$ 23,10.

O terceiro grupo em que a cesta básica é dividida, o de higiene pessoal, teve queda de 5,5% se comparado ao mês de maio. No total, os itens somaram R$ 15,29.

Variações

No mês de junho, o produto que mais apresentou variação negativa de preço se comparado ao mês anterior foi a cebola: queda de 49,3%. O creme dental e o absorvente aderente também apresentaram redução nos preços: 29,4% e 29,3%, respectivamente.

O arroz teve queda de 17,6%; o açúcar, queda de 12,3%, e o frango resfriado inteiro caiu 11,5%.

Por outro lado, o detergente teve aumento de 67,9%. Outros itens relacionados à limpeza doméstica também aumentaram: sabão em pó subiu 34,2% e sabão em barra registrou acréscimo de 24,1%.

No setor de alimentação, foi detectado aumento significativo no valor do queijo mussarela, com alta de 43,7%; no preço da margarina, alta de 17,2%, e no valor do feijão, aumento de 16,8%.

Entre os itens da cesta básica, foram verificadas grandes discrepâncias de preços entre os supermercados consultados. O queijo mossarela, por exemplo, pode ser encontrado em Bauru pelo preço mínimo de R$ 7,60 e máximo de R$ 10,52.

Outro item que registrou significativa diferença de preços ao consumidor foi o feijão. A pesquisa detectou preço mínimo de R$ 1,39 e máximo de R$ 3,92.

De acordo com Cafeo, a tendência é de que a cesta básica registre aumento nos próximos meses. A pressão do câmbio, por exemplo, deve ocasionar uma série de reajustes que podem influir no preço dos produtos no supermercado.

Preço por região

De acordo com os preços da cesta básica de junho verificados pelo Data-ITE em cada região de Bauru, a Leste é a que apresenta o preço médio mais alto: R$ 177,18. Nessa região, o valor é 24,9% maior que o preço mínimo da cesta básica na cidade, calculada em R$ 141,89.

O Centro apresenta a média de preços mínimos mais baixa. Nos supermercados daquela região, o valor da cesta é de R$ 165,38, o que equivale a uma diferença de 16,6% em relação ao mínimo da cesta na cidade.

Nas demais regiões, os resultados detectados apontam a zona Oeste com cesta a R$ 172,13; a região Sul com o valor de R$ 174,61, e a região Norte com o preço médio de R$ 176,99.

Apesar da queda de 0,53% do valor da cesta básica de junho em Bauru, se comparado ao mês de maio os consumidores continuam percebendo aumento de preços na hora de passar no caixa.

Num supermercado da região Sul da cidade, alguns clientes afirmam que a queda dos preços, ainda que pequena, não foi sentida no último mês.

A dona de casa Bianca Moreli declara que as diferenças para menos são tão raras e tão pequenas que nem causam impacto. “O que eu percebo mesmo é que a cada semana que venho ao supermercado gasto um pouco mais. Eu procuro aproveitar as ofertas de produtos de todos os setores, já que o básico a gente tem que comprar de qualquer jeito”, diz.

Já a professora Valéria Gobi afirma que a melhor saída para o consumidor é a velha prática de pesquisas de preços. “Quando tenho tempo, eu prefiro pesquisar para comprar onde estiver mais barato. Mesmo assim, meu orçamento sofre cada vez mais com as compras. As ofertas não são suficientes para cobrir alguns aumentos que são muito significativos”, avalia.