08 de julho de 2026
Regional

Sem telefone, empresas têm prejuízos

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 4 min

Agudos - Os constantes furtos de fios de cobre da rede telefônica que serve a região de Agudos têm causado sérios prejuízos aos empresários que dependem quase que totalmente desse meio de comunicação para trabalhar. Na altura do quilômetro 318 da rodovia Marechal Rondon, onde está instalado um pólo industrial e de serviços, as reclamações são muitas. A polícia afirma que faz a sua parte investigando e a Telefônica, por sua vez, considera o problema de ordem pública.

A situação é desesperadora afirmam os empresários que, na última quarta-feira, insatisfeiros com a situação e cansados de esperar por uma solução para o problema, recorreram ao Jornal da Cidade para expor o assunto. “Chegou a um ponto insustentável. Não sabemos mais a quem recorrer”, disseram.

O problema não é novo. De acordo com os empresários, há cerca de três anos os furtos vêm ocorrendo de forma mais intensa. A conseqüência imediata é a interrupção das linhas telefônicas o que em alguns casos significa a paralisação total das empresas, como é o caso de quatro transportadoras que funcionam nas adjacências do Auto Posto Garbras Rondon.

Na Transportadora Binotto, por exemplo, o prejuízo, só no último mês, foi avaliado em cerca de R$ 30 mil, segundo o responsável pela empresa, José Ângelo de Oliveira Ortolan. Em situação semelhante estão as transportadoras Saratoga, ALL/Dellara e a Delazari Transportes Rodoviários.

Sem telefone, reclama Helber Lourenço, representante da Saratoga, não é possível agendar fretes ou acionar os caminhões que geralmente estão em viagens por outras cidades e estados do País.

As transportadoras que estão centradas nesse pólo trabalham principalmente com a produção de duas grandes empresas localizadas também naquela região, a Ambev e a Duratex esta última também afetada quando há problemas de telefonia.

Além de não poder contratar os carregamentos, as empresas sofrem também quando clientes tentam manter algum contato com elas, diz José dos Santos Veronezi, da Delazari Transportes. Às vezes as interrupções duram quase o dia inteiro e quando o reparo é providenciado, muitas vezes o expediente já terminou e o prejuízo é certo, reclama Carlos Sampietro, da ALL/Dellara.

As interrupções de comunicação afetam ainda o movimento no Auto Posto Garbras. O gerente da empresa, João Antonio dos Santos, diz que em dias normais, centenas de caminhoneiros passam pelo posto. Já em épocas em que há problemas na rede de telefonia, esse fluxo é prejudicado em cerca de 50%. E isso gera uma reação em cadeia, explicam os empresários. “Se não há movimentação, todos perdem, desde as transportadora, passando pelo posto, restaurante e inclusive os usuários da rodovia em geral que costumam parar no local”, diz Santos.

Credibilidade

A incerteza no transporte de cargas, atesta Ortolan, gera ainda uma outra situação muito desagradável entre empresas e clientes, que é a falta de credibilidade. “Se a carga não chega ou não pode ser contratada ou despachada, os clientes reclamam com razão. Nós ficamos numa situação embaraçosa principalmente quando tentamos justificar e a ‘desculpa’ é sempre a mesma”, diz.

Com tanto inconveniente, muitas empresas procuram outras transportadoras para os serviços. “E nós, por estarmos incomunicáveis, vamos ficando sem fechar contratos e conseqüentemente contabilizando prejuízos”, observam.

Prejuízo social

A gerente do Serviço Social do Transporte/Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest/Senat), Vitória Freitas, diz que o problema afeta sobremaneira a atuação do Sest/Senat, que é uma instituição voltada exclusivamente para atendimento aos motoristas.

“Se não há motoristas passando por aqui, não podemos dar andamento aos nossos cursos”, diz. Os motoristas também acabam prejudicados já que o local oferece atendimento médico e odontológico, além de representar uma espécie de “porto seguro” para os motoristas que podem parar, descansar e fazer contatos com familiares e patrões.

Sem solução?

A solução do problema, para desespero dos empresários, não parece estar a caminho ainda. Por um lado, o delegado titular de Agudos, Paulo Calil, afirma que o que é possível fazer para evitar ou esclarecer os furtos a polícia tem feito. “Contamos inclusive com o apoio da polícia de Bauru”. O delegado dá inclusive uma estatística aterradora: em 15 dias, cinco ocorrências.

Já a Telefonica informa através de sua assessoria de imprensa, que considera a questão um problema de ordem pública e o que é possível fazer está sendo feito para amenizar a situação.

A Ensatel, empresa que presta serviço terceirizado para a Telefonica, e seria em tese a responsável pela manutenção da rede na região de Bauru e Agudos, informou ontem que não poderia dar detalhes sobre seu trabalho.

O prefeito de Agudos, José Carlos Octaviani (PMDB), afirmou ontem que há cerca de dois meses entrou em contato com o comando da Polícia Militar para solicitar mais policiamento para o município e recebeu a informação de que a partir de agosto, pode ser que isso aconteça.