08 de julho de 2026
Polícia

Acidente causa maior tragédia da PM

Por Thaís da Silveira | colaboração Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

A morte de seis policiais militares de Bauru provocada por um acidente ocorrido na madrugada de ontem, na rodovia Castelo Branco, foi a maior tragédia da Polícia Militar (PM) da cidade. O soldado Roberto Silva, 44 anos, foi o único sobrevivente entre os passageiros da viatura policial. Além dos PMs, outras seis pessoas morreram no local, entre elas, Paulo César Souza Perpétuo, 60 anos, que também morava em Bauru.

O acidente envolveu 30 veículos e foi considerado o mais grave da história da rodovia Castelo Branco.

“Em 31 anos de serviço que tenho, essa é a maior perda de policiais militares que já vi em Bauru”, afirma o coronel Helder Pereira, comandante do Comando de Policiamento do Interior (CPI-4). O coronel decretou luto policial de três dias na corporação,na área do CPI-4.

Silva, o único sobrevivente da viatura policial de Bauru, sofreu ferimentos graves, mas não corre risco de morte. Ele teve fraturas no fêmur e no nariz e muitos cortes pelo corpo. O soldado estava consciente durante o atendimento médico e disse que atribui sua sobrevivência a Deus.

Ele está internado em um hospital da cidade de Itu, mas será transportado para Bauru para receber tratamento médico próximo de seus familiares.

Silva foi admitido na PM em 1978 e, desde então, recebeu 33 elogios individuais na corporação pela qualidade do serviço prestado. Antes de trabalhar em Bauru, ele passou por Jacareí, Lins, Pederneiras e Lençóis.

Perdas

O motorista da viatura, uma Veraneio, soldado Rudimar de Oliveira Camargo, 48 anos, morreu no local. Ele não tinha consulta agendada e estava no veículo como condutor. O comportamento do policial em serviço era considerado excelente. Ele recebeu 23 elogios individuais (por bons serviços prestados) em seus 39 anos de PM. Antes de tornar-se motorista, trabalhou no complexo penitenciário de Bauru.

O soldado Antônio Henrique Dainezi, 49 anos, que ia aposentar-se em 20 dias, estava sendo transportado para a Capital a fim de receber atendimento médico e morreu no local. Ele trabalhava no 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI), em Bauru, como rádio-operador e acumulou 38 elogios individuais em seus quase 30 anos de trabalho na corporação.

“Ele era muito brincalhão. Fazia piada de tudo. Era uma pessoa em que você via muita sede de vida; tinha esperança de fazer “n” projetos depois da aposentadoria”, diz o soldado Ricardo Tonon, telefonista do 4.º BPMI, que trabalhou com Dainezi até as 20h15 da noite anterior ao acidente. “Ele vai deixar saudades”, lamenta.

O soldado Anderson Mesquita da Silva, 23 anos, do 27.º Batalhão (sediado na cidade de Jaú) também foi vítima fatal. Ele trabalhava como patrulheiro em Igaraçu do Tietê e entrou na Polícia Militar em 1999. Desde então, recebeu dois elogios individuais.

Dois primeiro-sargentos reformados, João Antunes Filho e Alci Gonçalves de Oliveira, também morreram no acidente. O corpo de Alci será velado em Iacanga, cidade em que ele morava com o casal de filhos. Alci tornou-se policial em 1962 e aposentou-se em 1991.

O corpo de João Antunes Filho foi direto para a Capital, onde seria velado e enterrado. Ele foi admitido pela Polícia Militar em 1964 e trabalhou até 1885 em São Paulo. João morava com sua esposa em Bauru há cerca de três anos.

O cabo Paulo Henrique Domingues, outra vítima fatal, iniciou seu trabalho na Polícia Militar em 1987. Durante esse período, seu comportamento em serviço foi considerado ótimo; ele acumulou 41 elogios individuais. Paulo era casado e tinha um casal de filhos.

Atualmente, o cabo trabalhava no Centro Operacional da Polícia Militar (Copom), mas já havia atuado no complexo penitenciário e no policiamento de trânsito. A sargento Maria Helena da Silva Rodrigues, supervisora do Copom, afirma que a morte abalou muito a equipe.

“A gente se sente uma família. Hoje (ontem), entramos meia hora mais cedo e fizemos uma oração para eles”, conta.

Mortes comovem

“Em 31 anos de serviço que tenho, essa é a maior perda de policiais militares que já vi em Bauru.” Coronel Helder Pereira, comandante do CPI-4.

â€œÉ uma notícia que para nós choca bastante. Principalmente na circunstância em que aconteceu o acidente - são policiais que já estavam passando por dificuldades. É bastante lastimável.” Capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1.ª Companhia da PM de Bauru.

“A notícia é uma notícia triste para toda a família militar.” Aparício Batista Nascimento, presidente da Associação de Cabos e Soldados da PM

“Foi chocante. Quando me falaram, eu estava em casa. Deu aquele gelo no peito. Eu trabalhei com ele (Antônio Henrique Dainezi) até as 20h15 da noite antes dele viajar” soldado Ricardo Tonon, telefonista do 4.º BPMI

“Abalou muito o pessoal do Copom. Como nós trabalhávamos com o H. Domingues (Paulo Henrique Domingues), tínhamos um contato muito grande com ele. A gente se sente uma família.” sargento Maria Helena da Silva Rodrigues, supervisora do Centro de Operações da PM (Copom)

“Queremos que com a nossa medida toda a população esteja unida neste momento e dor aos parentes das vítimas e a essa valiosa corporação que é a nossa Polícia Militar.” Nilson Costa, prefeito de Bauru, em relação ao luto oficial de três dias.