08 de julho de 2026
Auto Mercado

Circulando - Paixão dividida

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

O Maverick, por si só, é um carro capaz de despertar as mais variadas paixões em pessoas de todas as idades. Mas o modelo 1974 que “dorme” na garagem do casal bauruense José Vital dos Santos e Hilda Colombi Vital dos Santos é especial.

Como se não bastasse o fato de guardar boa parte de suas características originais e encontrar-se em estado impecável de conservação, a propriedade do Maverick é “dividida” entre José, mais conhecido por Tuta, e sua esposa.

A história de amor do casal com o veículo da Ford começou em meados da década de 70, quando Tuta trabalhava como representante comercial. Na época, apenas duas semanas de vendas foram suficientes para o aposentado reunir o dinheiro para comprar o Maverick. “Como ganhei uma boa comissão, queria dar um presente à esposa para ajudá-la a se deslocar para Piratininga, onde ela dava aula”, conta ele.

Apesar de ter facilitado sua vida, Hilda “apanhou” no começo para se familiarizar com o carro. “Me atrapalhava porque pegava muito frio, chuva e neblina na estrada e não sabia onde eram os botões que limpavam o pára-brisa”, lembra ela, rindo.

Entretanto, o destino resolveu pregar uma “peça” no casal. O então representante comercial, profissão de rendimentos bastante variados, teve seus ganhos reduzidos. Por isso, cerca de quatro anos depois de tê-lo tirado “zerinho” da loja e sendo essencial para sua esposa, Tuta tentou vender, sem sucesso, o Maverick para safar-se dos momentos de dificuldade que o casal vinha enfrentando.

Entretanto, eis que surge um amigo de Tuta e lhe dá uma sugestão curiosa, porém brilhante. “Precisava de dinheiro para viajar e ele me deu a idéia de comprar o carro da minha própria esposa. Assim, eu o financiava no banco e arrumava recursos para as viagens. O automóvel continuou sendo dela, mas o documento veio para o meu nome. Por isso falo que é um carro de dois donos”, revela ele.

Mas, continua Tuta, pagá-lo não foi nada fácil e demorou dois anos. “Além de ter de pagar as prestações do carro, tinha de quitar as da casa. Mas, graças à força que minha esposa me dá, conseguimos vencer. Hoje somos felizes”, considera o aposentado.

Atualmente, conforme Tuta, o Maverick vermelho com alavanca de câmbio próximo ao volante só sai da garagem para ocasiões “especiais”, como festas. “Não posso sair com ele que por onde ando todos ficam me perguntando se estou vendendo. Por isso, quase não rodo com o carro”, justifica ele.

A hipótese de vendê-lo é logo rechaçada pelo aposentado. “Muitos acham que pagando R$ 4 mil ou R$ 5 mil por ele está bem pago. É o que acham, mas não o vendo, dou ou empresto”, enfatiza Tuta. “Pelo preço que peço - R$ 30 mil - poucos teriam condições de adquiri-lo. Mas faço isso propositalmente, pois não quero comercializá-lo”, finaliza.