O Maverick, por si só, é um carro capaz de despertar as mais variadas paixões em pessoas de todas as idades. Mas o modelo 1974 que “dorme†na garagem do casal bauruense José Vital dos Santos e Hilda Colombi Vital dos Santos é especial.
Como se não bastasse o fato de guardar boa parte de suas características originais e encontrar-se em estado impecável de conservação, a propriedade do Maverick é “dividida†entre José, mais conhecido por Tuta, e sua esposa.
A história de amor do casal com o veículo da Ford começou em meados da década de 70, quando Tuta trabalhava como representante comercial. Na época, apenas duas semanas de vendas foram suficientes para o aposentado reunir o dinheiro para comprar o Maverick. “Como ganhei uma boa comissão, queria dar um presente à esposa para ajudá-la a se deslocar para Piratininga, onde ela dava aulaâ€, conta ele.
Apesar de ter facilitado sua vida, Hilda “apanhou†no começo para se familiarizar com o carro. “Me atrapalhava porque pegava muito frio, chuva e neblina na estrada e não sabia onde eram os botões que limpavam o pára-brisaâ€, lembra ela, rindo.
Entretanto, o destino resolveu pregar uma “peça†no casal. O então representante comercial, profissão de rendimentos bastante variados, teve seus ganhos reduzidos. Por isso, cerca de quatro anos depois de tê-lo tirado “zerinho†da loja e sendo essencial para sua esposa, Tuta tentou vender, sem sucesso, o Maverick para safar-se dos momentos de dificuldade que o casal vinha enfrentando.
Entretanto, eis que surge um amigo de Tuta e lhe dá uma sugestão curiosa, porém brilhante. “Precisava de dinheiro para viajar e ele me deu a idéia de comprar o carro da minha própria esposa. Assim, eu o financiava no banco e arrumava recursos para as viagens. O automóvel continuou sendo dela, mas o documento veio para o meu nome. Por isso falo que é um carro de dois donosâ€, revela ele.
Mas, continua Tuta, pagá-lo não foi nada fácil e demorou dois anos. “Além de ter de pagar as prestações do carro, tinha de quitar as da casa. Mas, graças à força que minha esposa me dá, conseguimos vencer. Hoje somos felizesâ€, considera o aposentado.
Atualmente, conforme Tuta, o Maverick vermelho com alavanca de câmbio próximo ao volante só sai da garagem para ocasiões “especiaisâ€, como festas. “Não posso sair com ele que por onde ando todos ficam me perguntando se estou vendendo. Por isso, quase não rodo com o carroâ€, justifica ele.
A hipótese de vendê-lo é logo rechaçada pelo aposentado. “Muitos acham que pagando R$ 4 mil ou R$ 5 mil por ele está bem pago. É o que acham, mas não o vendo, dou ou emprestoâ€, enfatiza Tuta. “Pelo preço que peço - R$ 30 mil - poucos teriam condições de adquiri-lo. Mas faço isso propositalmente, pois não quero comercializá-loâ€, finaliza.